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Utopia (por Thomas More)


 
TÍTULO: Utopia
AUTOR: Thomas More
EDITORA: Penguin - Companhia das letras
PÁGINAS: 216
PERÍODO: 19-27/06/2023

 

“De que serve um tratado, perguntam, se a natureza já é um elo suficiente entre os humanos.”

(p. 143)

 

IMPRESSÕES:

Utopia é um dos textos mais importantes da filosofia política de todos os tempos, não atoa é pioneiro em muitos aspectos (seja na sátira ou na criação literária de mundos fidedignos), não há nada nele que não seja excelente e intrigante.

Influenciado pelos pensamentos e ideais humanista de sua época, Thomas More, em seu brilhantismo genial, conseguiu criar uma obra sem igual em 1516, fantasticamente descrita e que demonstra constantemente sua especialidade em confrontar os sistemas e formas de governo políticas que conhecemos e estamos acostumados ao nos expor à um maravilhoso novo mundo relatado por seu amigo Rafael Hitlodeu, marinheiro-filósofo experiente que em sua inúmeras viagens destemidas e lendárias encontra Utopia, um país mais avançados que as demais repúblicas europeias de sua época, apesar de seu isolamento nos arquipélagos equatoriais. Nomeada a partir do grego u-topos (não lugar), a ilha de Utopia, fruto da imaginação virtuosa do autor, é uma sociedade fundada em leis igualitárias, na qual toda propriedade é comum e as pessoas vivem em harmonia, livres de violência e intolerância religiosa, mas, principalmente, dos males e vícios acarretados pela instituição da propriedade privada, já que nesse paraíso na terra vigora o ditado grego de Pitágoras (“Tudo entre amigos é comum”) que desvela o elo natural, sempiterno e excelso entre os seres humanos de suas diferenças arbitrárias e incitantes de conflitos desnecessários.

O que me parece é que todo grande escritor de mundos fantásticos e literários passou por Utopia algum dia, vejo claramente que o George Orwell bebeu mundo do Thomas More, não conseguia parar de fazer um paralelo entre Utopia e Oceania, como dois extremos de um mesmo conceito. Eu amei toda a criação desse mundo, o idioma com signos simples e correlativo ao latim, o mapa descritivo da ilha com um estilo das navegações modernas, os vários nomes complexos e instigantes (como Abraxas e Aindro) e todo os sistema político, social e cultural bem desenvolvido. Claro que no começo descordamos da possibilidade da existência de tal sociedade, mas quando pensamos que o desenvolvimento e a criação humana (ou seja, a educação moral, religiosa, trabalhista e científica) pode ser a chave de virada para a criação de um mundo mais justo e feliz acende uma faísca de esperança em nossos corações, além de todas aquelas pulgas implantadas em nossas orelhas com questionamentos e críticas acerca de nossas vidas em repúblicas ou governos nada igualitários e ignóbeis em sua falsa nobreza baseados na ganância de algo tão fútil como o dinheiro, que, sem dúvidas, é a raiz de todos os males.

O que tenho comigo é a edição da Penguin - Companhia das Letras, que por sua vez está sempre muito bem traduzida e recheada de referências explicativos dos tradutores, especialistas e comentaristas da obra. Ela segue o modelo padrão da editora que esbanja elegância, ainda mais se ao lado de outros livros do mesmo naipe, deixando sua biblioteca com um formato simétrico e sofisticado, ainda assim sinto falta das orelhas nas capas dessas edições, acabei deixando-a meio torta enquanto lia.

Dou um 4/5 para essa obra, não levo em conta a edição aqui, se não seria menor a avaliação, contudo o More e seus amigos conseguiram um belo lugar na minha estante com seu engenho, pureza de ideias e espírito apaixonado pelo bem da raça humana. Eu sinto que era quase inevitável que lesse esse manuscrito, ele me pegou em meus pontos cardiais, minha fé no Caminho e meu saber na construção literária de mundos, com certeza ela me inspirou de maneiras que até agora mal sei discernir, mas tenho certeza que não foi a última vez que visitei esse livro, ou melhor dizendo, Utopia.

 

“Onde quer que esses dois males do favoritismo e da ganância se insinuem no juízo dos homens, destroem de imediato toda a justiça, a qual é a mais sadia garantia de sociedade civil.”

(p. 143)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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