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Bartleby, o escrivão (por Herman Melville)

"Prefiro não." (p. 67)      Ainda que preferindo não fazer uma resenha, venho dizer a estranheza que me foi essa novela do Melville, me pegou de surpresa tanto quanto os personagens ao ouvirem o mantra de Bartleby a primeira vez ...       O copista da Wall Street que prefere não fazer nada, no princípio quis odiá-lo tanto quanto seu empregador, mas aí percebi que volta e meia dou uma de Bartleby, além do fato de escrever ser nossa profissão, liguei-me à ele ao perceber que estagno minhas atividades quando me recaem os pensamentos melancólicos acerca da carreira literária nos dias de hoje, pensar demais sobre ou me comparar com outros o autores me deixam nesse mesmo estado letárgico, fora que, como o nosso protagonista decide residir no escritório, eu me refúgio na igreja a maior parte do dia.       Daí me ver nele me fez entender ainda mais o nosso herói desvalido de páthos , noto também os nomes dos demais colegas de tr...
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Iracema (por José de Alencar)

  "O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha rescendia no bosque como seu hálito perfumado" (p. 12)    Como não se apaixonar pela beleza da virgem dos lábios de mel que habitava as serras do novo mundo, símbolo máximo da própria América? Agora amo uma mulher que nunca vi nem toquei, a não ser com a minha alma.      O poema em prosa de José de Alencar trata de representar o nascimento lendário do Ceará, sua terra natal, por meio de uma alegoria genial à história da colonização do Brasil pelos invasores, o povo europeu. Aqui vemos Martim Soares Moreno, português aliado do bravo povo das praias, os Potiguaras, sendo flechado no peito pela doce filha de Araquém do povo guerreiro das serras, os Tabajara. Uma doce e aguerrida paixão nasce daí em meio aos conflitos dos povos indígenas entre si com a intervenção de franceses e outros colonizadores descambando numa história de amor e nascimento de uma nova gente. "O melhor dos lábios d...

O cavaleiro dos sete reinos (por George R. R. Martin)

“A dor era tão parte da cavalaria quanto espadas e escudos.” (p. 169)      Quando você acha que a boa e velha Westeros não pode mais te surpreender, você se maravilha com mais uma de suas histórias viceralmente encantadoras que nos desvela como o mundo, real ou fantástico, pode ser tão singelo e cruel ao mesmo tempo.     S or Duncan, o alto, ou apenas Dunk para o mais íntimos, acaba de perder o seu mentor, sor Arlan de Centarbor, e inicia sua jornada com um cavaleiro andante de pelos vastos reinos de Westeros. Em meio a uma dessas andanças, nosso gigante gentil em cota de malha conhece Egg, um garotinho careca e bocudo cheio de surpresas, que logo se torna seu escudeiro e o auxilia a participar de um torneio de justas em homenagem ao aniversário da filha de um senhor menor. Era a oportunidade perfeita para lucrar dinheiro e fama, ele só não contava com a presença e a participação da família real ali, os caóticos Targaryens.      Além d...

A Dama de Espadas (por Alexander Pushkin)

“Não estou em condições de sacrificar o indispensável na esperança de obter o supérfluo.” (p. 14)     Há algo de proveitoso em se aventurar por livros sem saber nada sobre eles, essa obra é um daqueles achados inesperados que você agradece ao destino por ter colocado em suas mãos, pois quem diria que uma novela tão curta fosse ter um efeito tão grande em meu espírito.      Em uma roda de amigos em volta de uma mesa de carteado, somos introduzidos a curiosa história de uma condessa que possui o misterioso segredo para vencer qualquer jogo com três tiradas incríveis de cartas, o que, por sua vez, desperta a curiosidade do ambicioso, porém cheio de temores, Hermann. Após encontrar uma brecha no coração da bela Lizanka pela qual pode ter acesso a tal condessa, o jovem põe em prática seu plano mestre sem saber que a aposta que está fazendo talvez seja alta demais.     Nos proporcionando uma mistura inesperada de mistério, ganância e sobrenatural...

HealerBug - Prólogo (por John Miranda)

-  O que fazer quando as fronteiras entre as realidades se desvanecem completamente?   Em 2010, a Bifrost Co. & Games , uma empresa especializada em jogos de realidade virtual com a temática de fantasia e ficção científica, lançou seu primeiro jogo de realidade virtual de desenvolvimento continuo. Valhalla foi um sucesso mundial, um jogo sem igual experienciado por um sistema computacional de visores e sensores de movimentos que ficavam em uma pequena plataforma eletrônica, os quais eram chamados de Drakkr. Eles permitiam que os usuários sentissem como se estivessem fisicamente presentes e ativamente interagindo com os personagens e os ambientes virtuais programados.  Depois de cinco anos na ativa veio a se tornar um dos jogos mais populares e influentes da história, com a maior base de jogadores online por hora e seu grande impacto cultural e econômico. Uma década depois de seu lançamento, a empresa anunciou que estaria fechando todos os servidores do jogo p...

Amor & Azeitonas (por Jenna Evans Welch)

TÍTULO: Amor & Azeitonas AUTOR: Jenna Evans Welch EDITORA: Intrínseca PÁGINAS: 448 PERÍODO: 01-25/11   “Minha mãe avisou que coisas importantes não gostam de serem enterradas.” (p. 10)   IMPRESSÕES:   Filho de peixinho, peixinho é , já dizia o ditado, mas nesse caso, filha de atlante é o mais correto a se dizer porque Liv é a versão feminina de seu genitor, Nico Varanakis, tanto nas qualidades quanto nos defeitos e a autora soube descrever isso. Jenna Evans Welch vem nos surpreender novamente com um romance aventuresco em um país distante e com uma cultura encantadora, agora ela nos leva para a ilha de Santorini onde conhecemos o drama da greco-americana Olive ( Liv ) Varanakis, vulgo Indiana Olive , uma garotinha abandonada pelo pai que partira, sem mais explicações, em busca da cidade submersa das lendas antigas. A pequena exploradora cresceu e deixou a vida de aventuras para trás, assumindo uma persona descolada de adolescente popular do...

Jogos Vorazes: Em chamas (por Suzanne Collins)

TÍTULO: Jogos Vorazes: Em chamas AUTOR: Suzanne Collins EDITORA: Rocco PÁGINAS: 415 PERÍODO: 01-27/10/2024 “A tempestade só passa quando você a atravessa.” (p. 19)   IMPRESSÕES:      Dessa vez nossa Tordo está numa situação pior do que na última edição em que estreou, antes ela tinha a convicção de que todos estavam contra todos e ela não era uma exceção, só precisava sobreviver, agora não mais essa certeza e isso é a pior coisa para um jogador: não saber quem é seu aliado ou seu inimigo.      Algo parece ter mudado para sempre em Panem depois da improvável e inusitada vitória de Katniss Everdeen e Peeta Mellark nos últimos Jogos Vorazes, tendo em vista que durante a turnê dos vitoriosos o casal de pseudo-apaixonados se deparam com os mais variados distritos e a maioria dão sinais de que uma revolta é iminente agora que enxergam nos dois representantes sobreviventes do Distrito 12 um exemplo de que vencer a Capit...

Pausarte #3 (Sussurros)

  A voz silenciosa (1893) de Gerald Edward Moira      Em uma época em que tudo parece gritar, há uma pintura que nos convida ao oposto: ao silêncio .      Nessa obra, uma jovem escuta algo que ninguém mais ouve, seus olhos não estão focados no mundo ao redor, mas parecem presos a uma presença que não se vê, apenas se sente. A moça não responde, não questiona, apenas ouve e isso nos diz muito. Que maravilhas você ouvirá quando ficar calado em um lugar de completa calmaria?       Na filosofia, escutar é um gesto mais profundo do que simplesmente ouvir sons, ela é um ato de abertura, para Martin Heidegger, por exemplo, só escuta quem é capaz de se dispor ao mistério do ser, ou seja, quem silencia suas certezas e abre espaço para algo que vem de fora… ou de dentro. A figura espectral que sussurra à jovem talvez represente esse "algo mais"... Um chamado? Um despertar? Uma verdade revelada?       A fi...

O anjo da guarda do vovô (por Jutta Bauer)

TÍTULO: O anjo da guarda do vovô AUTOR: Jutta Bauer EDITORA: Cosac & Naify PÁGINAS: 56 PERÍODO: 08/10/2024   IMPRESSÕES: Pureza e simplicidade são a fraqueza de qualquer alma sensível, a autora sabe disso e com algumas iluminuras gentis e um enredo linear nos ganha com as diversas camadas de profundidade que sua obra alcança na maestria da arte que pincela a vida nas suas mais tenras acentuações. Eu estava fazendo vendo as promoções de livros antes de preparar a encomenda que iria realizar até que eu vi o título chamativo e a singela gravura da capa, aquilo conquistou minha curiosidade na hora e depois que o li percebi que a obra e a autora haviam ganhado meu coração também nesse interim. A pequena trama retrata um jovenzinho recapitulando o que seu velho avô costumava contar nos tempos em que passavam juntos, relatando, na maioria das vezes, como havia sido a sua vida, uma aventura só, principalmente na companhia de seu amiguinho espiritual, uma literatura i...

A morte de Ivan Ilitch (por Liev Tolstói)

TÍTULO: A morte de Ivan Ilitch AUTOR: Liev Tolstói EDITORA: Principis PÁGINAS: 95 PERÍODO: 06/02-31/03   “Não é possível que eu tenha de morrer. Isso seria horrível demais!” (p. 58)   IMPRESSÕES:   Eu estava estudando ontologia para minha pesquisa no curso de Filosofia e em uma das páginas do livro de Heidegger vi o nome desse sujeito mal afortunado que acaba morrendo e sendo tratado indiferentemente por seus entes mais próximos, 7 anos depois eis me aqui com essa história em mãos... Ivan Ilitch via a si mesmo como alguém distinto, jamais refletindo sobre o destino inevitável que aguarda a todos. Dedicado à busca por prestígio, estabilidade financeira e influência dentro do sistema judiciário da Rússia czarista, ele acreditava estar no caminho do sucesso. No entanto, um acidente aparentemente insignificante desencadeia uma lenta e dolorosa deterioração, mergulhando-o em um sofrimento que a medicina não consegue explicar nem aliviar....