TÍTULO: A revolução dos bichos
“Todos os animais são iguais
Mas alguns são mais iguais do que os outros”
(p. 157)
IMPRESSÕES:
Um capítulo!
Apenas um foi necessário para me prender nessa história e me deixar
completamente incontrolável para saber tudo o que viria depois, esse é o poder
apaixonante de um clássico bem escrito e profundamente emocionante. A
revolução dos bichos vem sob uma roupagem de inocência, como uma fábula,
nos trazer uma representação da crueldade implícita no sistema mundial e os
caminhos pelos quais algo bom pode dar brecha para algo pior, retornando ao
próprio status quo de alienação e exploração das massas. Não há como não
sentir o impacto no âmago de sua mente que faz surgir as perguntas mais
perigosas, o que é totalmente maravilhoso de se experimentar com essa leitura
trágica.
Esse clássico
conta a história de uma fazenda que é tomada de animais maltratados e
sobrecarregados por um dono negligente, o Sr. Jones, um fazendeiro frustrado e
quase falido. Após um grande anúncio de um porco, o Major, sobre seu sonho de
revolução, deixa todos os seus colegas cheios de idealismo, eles se propõem a
criar um paraíso de progresso, justiça e igualdade, administrando o local por
conta própria. Os porcos assumem o comando e, com suas habilidades de
alfabetização, conduzem o coletivo animalesco a grande conquista, contudo, numa
reviravolta gradativa e sútil, uma facção aos poucos mudando as regras que os
animais haviam estabelecido previamente. Dessa forma o palco está montado com
uma crítica muito bem escrita de como os ideais socialistas são corrompidos por
pessoas poderosas, como as massas iletradas são aproveitadas e como os líderes
comunistas se transformam em capitalistas.
O misto de emoções
foi grande, viu? O mais predominante foi o sentimento de injustiça e revolta em
mim ao ver o totalitarismo sendo implantado aos poucos justamente por falta de
conhecimento e discernimentos dos demais animais, a obediência cega e a
propaganda hipócrita e enganadora anunciada, tudo isso me deixou lendo com o
puro ódio nas veias, talvez seja porque aconteceu algo semelhante no Brasil
duas vezes, uma na ditadura de forma plena e uma tentativa mais sútil em
2018-2022. Não me leve a mal, odiei a situação, entretanto a história só me
ganhava cada vez mais depois de cada capítulo, me apegar aos personagens e
sentir suas mortes, torcer contra os porcos e ficar em choque com a reviravolta
num final bem amarrado pelo autor foi algo impagável (apesar de ter pagado por
isso kkk). Saber um pouco sobre o autor e sua história no prefácio também me
encantou, descobrir que Arthur Eric Blair era o verdadeiro nome de George
Orwell me deixou tão surpreendido quanto o arremate da obra. Em suma foi uma
experiência maravilhosa, muito esperada e que superou minhas expectativas, ouso
até dizer que irá concorrer como melhor livro que li esse ano.
A minha edição
veio num box do autor confeccionado pela Pandorga, um trabalho impecável e
deslumbrante, havia permanecido na minha lista de desejos por anos e quando
finalmente adquiri me senti realizado, duplamente inclusive, após a leitura
maravilhosa, que ao meu ver é a melhor edição da obra, simples, bela e
atraente, os brindes abrilhantam ainda mais todo esse esmero da editora,
comprei-lo numa promoção muito boa, o que saiu por uma pequena bagatela se
comparado ao preço normal que é um pouco salgado as vezes.
Queria poder dar
uma nota maior do que 5/5 para esse livro fantasticamente envolvente e lúdico,
por sua crítica bem feita e altamente penetrante na nossa alma condicionada ao
meio que o sistema nos controla, esse é o tipo de livro que não se deve pular ou
deixar pra depois (como eu fiz), o quanto antes ler melhor, recomendado para
todos os momentos e pra todas as idades justamente para conscientizá-las, A
revolução dos bichos é aquela obra indispensável de qualquer biblioteca.
“Esta é minha mensagem para vocês, camaradas.
Revolução!”
(p. 23)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)

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