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A revolução dos bichos - ou fazenda animal (por George Orwell)

 


TÍTULO: A revolução dos bichos
AUTOR: George Orwell
EDITORA: Pandorga
PÁGINAS: 166
PERÍODO: 10-12/05/2023

 

“Todos os animais são iguais

Mas alguns são mais iguais do que os outros”

(p. 157)

 

IMPRESSÕES:

Um capítulo! Apenas um foi necessário para me prender nessa história e me deixar completamente incontrolável para saber tudo o que viria depois, esse é o poder apaixonante de um clássico bem escrito e profundamente emocionante. A revolução dos bichos vem sob uma roupagem de inocência, como uma fábula, nos trazer uma representação da crueldade implícita no sistema mundial e os caminhos pelos quais algo bom pode dar brecha para algo pior, retornando ao próprio status quo de alienação e exploração das massas. Não há como não sentir o impacto no âmago de sua mente que faz surgir as perguntas mais perigosas, o que é totalmente maravilhoso de se experimentar com essa leitura trágica.

Esse clássico conta a história de uma fazenda que é tomada de animais maltratados e sobrecarregados por um dono negligente, o Sr. Jones, um fazendeiro frustrado e quase falido. Após um grande anúncio de um porco, o Major, sobre seu sonho de revolução, deixa todos os seus colegas cheios de idealismo, eles se propõem a criar um paraíso de progresso, justiça e igualdade, administrando o local por conta própria. Os porcos assumem o comando e, com suas habilidades de alfabetização, conduzem o coletivo animalesco a grande conquista, contudo, numa reviravolta gradativa e sútil, uma facção aos poucos mudando as regras que os animais haviam estabelecido previamente. Dessa forma o palco está montado com uma crítica muito bem escrita de como os ideais socialistas são corrompidos por pessoas poderosas, como as massas iletradas são aproveitadas e como os líderes comunistas se transformam em capitalistas.

O misto de emoções foi grande, viu? O mais predominante foi o sentimento de injustiça e revolta em mim ao ver o totalitarismo sendo implantado aos poucos justamente por falta de conhecimento e discernimentos dos demais animais, a obediência cega e a propaganda hipócrita e enganadora anunciada, tudo isso me deixou lendo com o puro ódio nas veias, talvez seja porque aconteceu algo semelhante no Brasil duas vezes, uma na ditadura de forma plena e uma tentativa mais sútil em 2018-2022. Não me leve a mal, odiei a situação, entretanto a história só me ganhava cada vez mais depois de cada capítulo, me apegar aos personagens e sentir suas mortes, torcer contra os porcos e ficar em choque com a reviravolta num final bem amarrado pelo autor foi algo impagável (apesar de ter pagado por isso kkk). Saber um pouco sobre o autor e sua história no prefácio também me encantou, descobrir que Arthur Eric Blair era o verdadeiro nome de George Orwell me deixou tão surpreendido quanto o arremate da obra. Em suma foi uma experiência maravilhosa, muito esperada e que superou minhas expectativas, ouso até dizer que irá concorrer como melhor livro que li esse ano.

A minha edição veio num box do autor confeccionado pela Pandorga, um trabalho impecável e deslumbrante, havia permanecido na minha lista de desejos por anos e quando finalmente adquiri me senti realizado, duplamente inclusive, após a leitura maravilhosa, que ao meu ver é a melhor edição da obra, simples, bela e atraente, os brindes abrilhantam ainda mais todo esse esmero da editora, comprei-lo numa promoção muito boa, o que saiu por uma pequena bagatela se comparado ao preço normal que é um pouco salgado as vezes.

Queria poder dar uma nota maior do que 5/5 para esse livro fantasticamente envolvente e lúdico, por sua crítica bem feita e altamente penetrante na nossa alma condicionada ao meio que o sistema nos controla, esse é o tipo de livro que não se deve pular ou deixar pra depois (como eu fiz), o quanto antes ler melhor, recomendado para todos os momentos e pra todas as idades justamente para conscientizá-las, A revolução dos bichos é aquela obra indispensável de qualquer biblioteca.

 

“Esta é minha mensagem para vocês, camaradas. Revolução!”

(p. 23)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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