“Todos os que estão no Inferno escolheram ir para lá. Sem
essa escolha pessoal, o Inferno não existiria.”
(p. 87)
IMPRESSÕES:
Nunca imaginei que
ler sobre uma viagem de ônibus seria tão impactante quando essa leitura foi,
como uma aventura invertida, onde a jornada só começa quando você chega no
destino, O grande divórcio nos evidencia ainda mais todo o peso e poder
que as nossas escolhas carregam consigo e trazendo à tona que a maior batalha
de nossas vidas é contra as paixões e sentimentos que aprisionam nossas almas.
Nesse romance
atemporal sobre uma viagem de ônibus do Inferno para o Céu, C. S. Lewis em O
grande divórcio, novamente emprega seu formidável talento para fábulas e
alegorias para nos trazer uma experiência literária surpreendente e cheia de
confronto. O escritor, que toma a vez do protagonista da história, se encontra
no Inferno embarcando em um ônibus com destino ao Paraíso, após conhecer alguns
passageiros e viajar por regiões quase infindáveis, chega ao Céu onde lhe é
feita uma proposta, a incrível oportunidade é que, quem quiser ficar no Céu,
fica. Este é o ponto de partida para uma meditação extraordinária sobre o bem e
o mal, a graça e o julgamento, liberdade e todos os conceitos profundos do
Cristianismo.
Meus amigos se
preparem porque eu só vou falar desse livro por um bom tempo, não há um só
cristão em toda a galáxia que não tenha de ler essa obra, totalmente edificante
e inteiramente preciosa pro intelecto literário, acho que essa obra também
deveria ser mais difundida, pois nunca ouvi falar dela antes de ganha-la de
presente. Acho que crianças não entenderiam toda a complexidade da
argumentação, mas todo jovem acima dos 15 anos deve ter o contato com a essa
obra que servira de explicação e até mesmo guia para a sua salvação, aos
adultos pode se revelar uma ótima ferramenta contra a frieza espiritual e
trazer certo nível de compreensão acerca de questões internas, o que foi o meu
caso.
O
grande divórcio durou apenas uma noite em minhas mãos e
mente sedentas por uma boa história, mas tive que fazer unas 3 pausas quando li
situações em que alguns personagens argumentavam ou pareciam da mesma forma que
eu acho que faria, o que me trouxe momentos de reflexão valiosos, dá pra sentir
claramente que o autor quis confrontar todas as possíveis desculpas que damos
diariamente, bem, eu acho que ele conseguiu atingir seu objetivo com maestria e
espero que tenha o mesmo efeito que teve em mim. A entrada do Paraíso (o Vale
da sombra da Vida) também me lembrou muito como o próprio Lewis descrevia a
“Nárnia incorruptível” em suas Crônicas, a aparição e presença de George
MacDonald também nos revela todo o apreço do autor por seu “mestre” e o final
argumentativo e filosófico arremata toda a história com chave de ouro.
A Thomas Nelson
nunca decepciona nas edições, a minha versão é de capa mole, mas em nada perde
para a de capa dura com relação a ortografia, diagramação e estética, apesar de
mais fininha, ela foi mais acessível financeiramente, publicada em 2020 e com
tradução de Elissamai Bauleo. Seria injusto não o avaliar como 5/5, esse
romance é mais uma daquelas surpresas do ano, leituras que você não esperava
tanto, mas te deu tudo mais do que você nem sonhava esperar, o que só me
empolga ainda mais pelas outras obras do autor. Esse romance tem seu lugar
guardado eternamente na minha biblioteca e no meu coração por todo encanto e
correção que me trouxe em linhas simples e na viagem de um ônibus com destino
elevado.
“Não penso que todos que escolhem caminhos errados
perecem, mas acho que seu resgate consiste no retorno à estrada certa.” (p. 14)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)

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