AUTOR: Jack London
“Ele fora vencido (sabia disso), mas não fora domado.”
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IMPRESSÕES:
Eu sabia que iria
amar esse livro, eu sentia nos meus ossos, desde quando ouvi falar de Jack
London e suas obras lupinas eu dizia pra mim mesmo: “eu amo os livros do Jack
London”, graças a Deus minhas expectativas foram supridas e surpreendidas, com
simplicidade animalesca essa novela que mais parece um romance me prendeu em
sua leitura desde a primeira folha.
O
chamado selvagem, obra-prima de Jack London, é uma
empolgante aventura sobre a luta pela sobrevivência do nosso herói galante e
feroz, Buck, um cachorro mestiço e afável que leva uma boa vida em um rancho na
Califórnia, comendo e dormindo ao sol. Porém, durante a febre do ouro nos anos
1897, ele é sequestrado e vendido por um dos empregados da casa onde mora para
trabalhar puxando trenós em terras gélidas mais ao norte. Passando por donos
disciplinados e rigorosos ou inexperientes e cruéis, Buck precisa lutar pela
vida e por seu lugar na nova profissão, aprendendo a viver ao estilo itinerante
sob a lei máxima dos porretes dos humanos e dos caninos de outros cães, ele
cede a seus instintos primitivos, reconectando-se a seus antepassados e
aceitando o chamado da natureza que clama por sua liberdade.
Pessoas como eu
que tem uma afeição extrema aos animais não controlarão as emoções com esse
livro, ver o pobre Buck ser sequestrado e forçado a viver em condições
precárias, enfrentando as adversidades que não param de surgir em sua jornada
no Norte me deixava totalmente aflito, não é à toa que quando ele se encontrou
em condições dignas mais a frente eu simplesmente comemorei horrores. Apesar de
ser um cão, é muito visível uma representação da própria condição humana que
por muitas vezes é contrastada ou espelhada nas vivências do nosso protagonista
canino, a relutância em aceitar o chamado da natureza graças ao afeto pelo
humano é algo maravilhosamente descrito pelo autor e o encerramento totalmente
trágico mais apropriado coloca a personagem do cão selvagem em seu devido
lugar, um final até que feliz e merecido.
O
chamado selvagem despertou novamente em mim aquela
natureza de leitor voraz que não quer largar o livro e mantém um foco alfa
quando está com ele em mãos, tive um pequeno contratempo na leitura quando
comecei, mas assim que me desfiz dele me vi completamente mergulhado na
história, até quando eu estava ocupado com outros afazeres pensava em qual
seria a fortuna do valente Buck.
Fiquei ainda mais
surpreso em como o pobre Jack teve a ideia de escrever essa obra, por
experiência própria na corrida do ouro de Klondike e sua breve, mas
emocionante, vida cheia de aventuras e fiascos, o que me inspirou bastante a
escrever também, principalmente porque escrevo o que vivo e no “Lobo” London
vejo uma grande inspiração.
Perfeita para ser
lido no final do inverno, O chamado selvagem é aquele tipo de leitura
que é indispensável na minha opinião, rápida e gostosa, com uma pitada bem
dosada de reflexão, indicado pra todas as idades e públicos. A arqueiro veio
com esse novo formato de publicação de algumas obras que pelo menos nessa obra,
a única que vi até agora, acertou em cheio, a melhor edição que vejo até agora,
o tamanho e a diagramação mais que satisfatórias, não vi erros ortográficos e a
estética me ganhou de cara, bela capa que reproduz bem a ideia do livro através
de uma cena que só quando conclui percebi ser um spoiler.
A nota é 5/5, mais
do que justa, com grande mérito por não atribuir pensamentos humanos aos
animais ou antropomorfismos, Jack London envolve o leitor no conflito de Buck
entre natureza primitiva e moralidade da civilização, criando uma fábula
moderna sobre a relação do homem com o mundo selvagem.
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)

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