Pular para o conteúdo principal

O chamado selvagem (por Jack London)




TÍTULO: O chamado selvagem
AUTOR: Jack London
EDITORA: Arqueiro
PÁGINAS: 156
PERIODO: 01-05/05/2023

 

“Ele fora vencido (sabia disso), mas não fora domado.” (18)

 

IMPRESSÕES:

Eu sabia que iria amar esse livro, eu sentia nos meus ossos, desde quando ouvi falar de Jack London e suas obras lupinas eu dizia pra mim mesmo: “eu amo os livros do Jack London”, graças a Deus minhas expectativas foram supridas e surpreendidas, com simplicidade animalesca essa novela que mais parece um romance me prendeu em sua leitura desde a primeira folha.

O chamado selvagem, obra-prima de Jack London, é uma empolgante aventura sobre a luta pela sobrevivência do nosso herói galante e feroz, Buck, um cachorro mestiço e afável que leva uma boa vida em um rancho na Califórnia, comendo e dormindo ao sol. Porém, durante a febre do ouro nos anos 1897, ele é sequestrado e vendido por um dos empregados da casa onde mora para trabalhar puxando trenós em terras gélidas mais ao norte. Passando por donos disciplinados e rigorosos ou inexperientes e cruéis, Buck precisa lutar pela vida e por seu lugar na nova profissão, aprendendo a viver ao estilo itinerante sob a lei máxima dos porretes dos humanos e dos caninos de outros cães, ele cede a seus instintos primitivos, reconectando-se a seus antepassados e aceitando o chamado da natureza que clama por sua liberdade.

Pessoas como eu que tem uma afeição extrema aos animais não controlarão as emoções com esse livro, ver o pobre Buck ser sequestrado e forçado a viver em condições precárias, enfrentando as adversidades que não param de surgir em sua jornada no Norte me deixava totalmente aflito, não é à toa que quando ele se encontrou em condições dignas mais a frente eu simplesmente comemorei horrores. Apesar de ser um cão, é muito visível uma representação da própria condição humana que por muitas vezes é contrastada ou espelhada nas vivências do nosso protagonista canino, a relutância em aceitar o chamado da natureza graças ao afeto pelo humano é algo maravilhosamente descrito pelo autor e o encerramento totalmente trágico mais apropriado coloca a personagem do cão selvagem em seu devido lugar, um final até que feliz e merecido.

O chamado selvagem despertou novamente em mim aquela natureza de leitor voraz que não quer largar o livro e mantém um foco alfa quando está com ele em mãos, tive um pequeno contratempo na leitura quando comecei, mas assim que me desfiz dele me vi completamente mergulhado na história, até quando eu estava ocupado com outros afazeres pensava em qual seria a fortuna do valente Buck.

Fiquei ainda mais surpreso em como o pobre Jack teve a ideia de escrever essa obra, por experiência própria na corrida do ouro de Klondike e sua breve, mas emocionante, vida cheia de aventuras e fiascos, o que me inspirou bastante a escrever também, principalmente porque escrevo o que vivo e no “Lobo” London vejo uma grande inspiração.

Perfeita para ser lido no final do inverno, O chamado selvagem é aquele tipo de leitura que é indispensável na minha opinião, rápida e gostosa, com uma pitada bem dosada de reflexão, indicado pra todas as idades e públicos. A arqueiro veio com esse novo formato de publicação de algumas obras que pelo menos nessa obra, a única que vi até agora, acertou em cheio, a melhor edição que vejo até agora, o tamanho e a diagramação mais que satisfatórias, não vi erros ortográficos e a estética me ganhou de cara, bela capa que reproduz bem a ideia do livro através de uma cena que só quando conclui percebi ser um spoiler.

A nota é 5/5, mais do que justa, com grande mérito por não atribuir pensamentos humanos aos animais ou antropomorfismos, Jack London envolve o leitor no conflito de Buck entre natureza primitiva e moralidade da civilização, criando uma fábula moderna sobre a relação do homem com o mundo selvagem.

 

“Sentava-se perto da fogueira de John Thornton, um cão de peito largo, caninos brancos e pelos longos, mas atrás dele vinham as assombras de todos os tipos de cães, cães-lobos e lobos selvagens.” (p. 102)

Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

Comentários