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1984 (por George Orwell)

 



TÍTULO: 1984
AUTOR: George Orwell
EDITORA: Pandorga
PÁGINAS: 502
PERÍODO: 15/05-03/06/2023

 

“GUERRA É PAZ

LIBERDADE É ESCRAVIDÃO

IGNORÂNCIA É PODER”

(p. 21)

 

IMPRESSÕES:

Eu nunca mais conseguirei ver o mundo do mesmo jeito! Às vezes me parece que eu já havia lido esse livro antes, outras que ele ainda me parece querer falar mais em suas páginas, isso só mostra o caráter universal que o autor conseguiu captar em poucas palavras de um possível mundo aterrorizador e desumano.

Em 1949, meses antes de sua morte, Arthur Eric Blair estava entregando ao mundo uma distopia futurista inédita e magistral que impactaria a história da literatura, 1984 é uma das obras escritas mais influentes e características do século XX, que ganhou seu lugar na biblioteca dos clássicos modernos sem demora com sua poderosa reflexão ficcional sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário e a sua atmosfera incomparavelmente opressora. Nele vemos Winston Smith, nosso revolucionário escuso e atormentado pelo saber dos meios e das mentiras em que a sociedade na qual está vivendo se utiliza para manter o status quo e controlar as massas através da manipulação do acesso e propagação dos vários tipos de conhecimento (linguagem, história, artes e outros sem fim de meios de interação humanas). A Oceania, um dos três superestados mundiais (conglomerados de países sob um regime totalitário) junto com a Lestásia e a Eurásia, que impõe sua vontade e ideologia, com rédeas curtas, as inúmeras massas categoricamente subdivididas em três castas (o Partido interno, o externo e os proletários), onde cada uma segue regras, rotinas e estilos de vida específicos, sendo todas, sem exceção, vigiadas continuamente pelos olhos e ouvidos onipresentes do Grande Irmão, a genial personificação do poder onisciente e cruel desse mundo antiutópico. É por meio de instituições cínicas e autoritárias do Estado (os ministérios da verdade, do amor, da paz e da abundância) que esse governo dita e rege a conduta de seus cidadãos auto alheios as cordas que os controlam, principalmente através de um conceito e prática mental de aceitação de contradições – o duplipensa – e a reformulação constante da língua oficial da nação que condiciona as mentes sutilmente a um estado básico de atividade cerebral – a Novílingua.  É nesse mundo complexo que acompanhamos o jovem rebelde ainda oculto se aventurar pelo perigo de ir contra esse sistema polidamente bárbaro com o objetivo de derrubá-lo ao chão mesmo que demore décadas para isso, quem sabe por intermédio de seu ingresso na lendária e obscura organização, insurreta e subversiva ao sistema atual, chamada a Irmandade, a qual Winston acredita com suas últimas esperanças que exista e possa ajudá-lo nessa empreitada suicida.

Empolgação e medo era tudo o que eu sentia, em alguns momentos o primeiro, em outros o segundo e na maioria das vezes os dois ao mesmo tempo. Todo esse panorama de regras e leis desperta em nós institivamente o sentimento de ignorar todas elas e fazer todas as loucuras possíveis evitando ao máximo sermos pegos. Acho que foi isso que o Winston e a Julia sentiram em suas veias, o desejo para quebrar cada uma de suas amarras e viver de verdade nem que seja por um breve período de tempo. Inclusive, eu sempre me perguntava por que o livro tinha esse título e descobrir que nem os personagens sabiam se realmente era 1984 ou não me deixou em um estado em que minha mente só pensava nisso, simplesmente genial, será mesmo que estou vivendo em 2023 ou em outra data que me é velada? Além disso, é visível que o George Orwell sabe muito mesmo sobre o que está escrevendo, toda a análise no meio do livro sobre os tipos de governos totalitários sob a voz de Goldstein em seu livro é altamente didática e sistematicamente empolgante. Destaque aqui a criação de mundo feita, super detalhada e historicamente acurada, que levou em conta todos os aspectos da vida humana, adorei conhecer esse mundo altamente futurístico com aparelhos tele visíveis avançados (a teletela), mas que continua numa situação atrasada tecnologicamente de propósito e totalmente estagnada cientificamente. A virada no enredo na passagem do final da 2° parte para a 3° me pegou direitinho, capacitada ao longo do romance, ela me deixou num completo estado letárgico por algum tempo, dali pra frente não larguei mais o livro, mesmo com as descrições das torturas, físicas e mentais. No fim, parece que estamos no mesmo estado desacreditado do velho Winston, como alguém que perdeu as esperanças de saída desse sistema facínora e esmeradamente perverso.

Essa minha edição também veio naquele box do autor confeccionado pela Pandorga, como havia dito e repito com prazer: é um trabalho impecável e deslumbrante que havia permanecido na minha lista de desejos por anos e quando finalmente adquiri me senti realizado, duplamente inclusive, após a leitura maravilhosa, que ao meu ver é a melhor edição da obra, simples, bela e atraente, os brindes abrilhantam ainda mais todo esse esmero da editora, comprei-lo numa promoção muito boa, o que saiu por uma pequena bagatela se comparado ao preço normal que é um pouco salgado as vezes.

Essa obra merece o triplo da nota que darei, obviamente 5/5, seja como uma distopia de um mundo muito possível de se concretizar em nossa realidade ou como uma crítica pesada as nações belicosas e totalitárias do século passado ou seus descendentes autoritários de nossa era, 1984 é aquele livro que serve como guardiã e profeta para a humanidade, um alerta para todas as gerações e uma inigualável experiência literária, destacada invariavelmente por seu horror político e anti-humano. Vivo o misto de querer ler novamente para descobrir mais e ter medo de reviver toda a dor daquele cenário mais uma vez.

 

O Grande Irmão está observando você!

(p. 18)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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