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Mostrando postagens de 2026

Bartleby, o escrivão (por Herman Melville)

"Prefiro não." (p. 67)      Ainda que preferindo não fazer uma resenha, venho dizer a estranheza que me foi essa novela do Melville, me pegou de surpresa tanto quanto os personagens ao ouvirem o mantra de Bartleby a primeira vez ...       O copista da Wall Street que prefere não fazer nada, no princípio quis odiá-lo tanto quanto seu empregador, mas aí percebi que volta e meia dou uma de Bartleby, além do fato de escrever ser nossa profissão, liguei-me à ele ao perceber que estagno minhas atividades quando me recaem os pensamentos melancólicos acerca da carreira literária nos dias de hoje, pensar demais sobre ou me comparar com outros o autores me deixam nesse mesmo estado letárgico, fora que, como o nosso protagonista decide residir no escritório, eu me refúgio na igreja a maior parte do dia.       Daí me ver nele me fez entender ainda mais o nosso herói desvalido de páthos , noto também os nomes dos demais colegas de tr...

Iracema (por José de Alencar)

  "O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha rescendia no bosque como seu hálito perfumado" (p. 12)    Como não se apaixonar pela beleza da virgem dos lábios de mel que habitava as serras do novo mundo, símbolo máximo da própria América? Agora amo uma mulher que nunca vi nem toquei, a não ser com a minha alma.      O poema em prosa de José de Alencar trata de representar o nascimento lendário do Ceará, sua terra natal, por meio de uma alegoria genial à história da colonização do Brasil pelos invasores, o povo europeu. Aqui vemos Martim Soares Moreno, português aliado do bravo povo das praias, os Potiguaras, sendo flechado no peito pela doce filha de Araquém do povo guerreiro das serras, os Tabajara. Uma doce e aguerrida paixão nasce daí em meio aos conflitos dos povos indígenas entre si com a intervenção de franceses e outros colonizadores descambando numa história de amor e nascimento de uma nova gente. "O melhor dos lábios d...

O cavaleiro dos sete reinos (por George R. R. Martin)

“A dor era tão parte da cavalaria quanto espadas e escudos.” (p. 169)      Quando você acha que a boa e velha Westeros não pode mais te surpreender, você se maravilha com mais uma de suas histórias viceralmente encantadoras que nos desvela como o mundo, real ou fantástico, pode ser tão singelo e cruel ao mesmo tempo.     S or Duncan, o alto, ou apenas Dunk para o mais íntimos, acaba de perder o seu mentor, sor Arlan de Centarbor, e inicia sua jornada com um cavaleiro andante de pelos vastos reinos de Westeros. Em meio a uma dessas andanças, nosso gigante gentil em cota de malha conhece Egg, um garotinho careca e bocudo cheio de surpresas, que logo se torna seu escudeiro e o auxilia a participar de um torneio de justas em homenagem ao aniversário da filha de um senhor menor. Era a oportunidade perfeita para lucrar dinheiro e fama, ele só não contava com a presença e a participação da família real ali, os caóticos Targaryens.      Além d...

A Dama de Espadas (por Alexander Pushkin)

“Não estou em condições de sacrificar o indispensável na esperança de obter o supérfluo.” (p. 14)     Há algo de proveitoso em se aventurar por livros sem saber nada sobre eles, essa obra é um daqueles achados inesperados que você agradece ao destino por ter colocado em suas mãos, pois quem diria que uma novela tão curta fosse ter um efeito tão grande em meu espírito.      Em uma roda de amigos em volta de uma mesa de carteado, somos introduzidos a curiosa história de uma condessa que possui o misterioso segredo para vencer qualquer jogo com três tiradas incríveis de cartas, o que, por sua vez, desperta a curiosidade do ambicioso, porém cheio de temores, Hermann. Após encontrar uma brecha no coração da bela Lizanka pela qual pode ter acesso a tal condessa, o jovem põe em prática seu plano mestre sem saber que a aposta que está fazendo talvez seja alta demais.     Nos proporcionando uma mistura inesperada de mistério, ganância e sobrenatural...

HealerBug - Prólogo (por John Miranda)

-  O que fazer quando as fronteiras entre as realidades se desvanecem completamente?   Em 2010, a Bifrost Co. & Games , uma empresa especializada em jogos de realidade virtual com a temática de fantasia e ficção científica, lançou seu primeiro jogo de realidade virtual de desenvolvimento continuo. Valhalla foi um sucesso mundial, um jogo sem igual experienciado por um sistema computacional de visores e sensores de movimentos que ficavam em uma pequena plataforma eletrônica, os quais eram chamados de Drakkr. Eles permitiam que os usuários sentissem como se estivessem fisicamente presentes e ativamente interagindo com os personagens e os ambientes virtuais programados.  Depois de cinco anos na ativa veio a se tornar um dos jogos mais populares e influentes da história, com a maior base de jogadores online por hora e seu grande impacto cultural e econômico. Uma década depois de seu lançamento, a empresa anunciou que estaria fechando todos os servidores do jogo p...