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Senhor das moscas (por William Golding)



TÍTULO: Senhor das moscas
AUTOR: William Golding
EDITORA: Alfaguara
PÁGINAS: 215
PERIODO: 18-25/04/2023

 

“Ralph chorava o fim da inocência, as trevas do coração humano.” (p. 215)

 

IMPRESSÕES:

Quem nunca se imaginou sozinho numa ilha paradisíaca sem autoridades ou regras jamais deixou sua criatividade abrir as asas e voar, coisa que o William Golding fez com maestria nesse romance, mas não parou por aí, não obstante levou sua elocubração a um nível superior, ao da realidade, trazendo à tona profundas verdades acerca da natureza humana cruel e selvagem através da pureza e simplicidade do que temos de melhor entronizado, a infância.

Vejo agora porque Senhor das Moscas é um dos romances essenciais da literatura mundial (só depois que conclui a leitura que fiquei sabendo que ele foi adaptado duas vezes para o cinema), visto como uma alegoria, uma parábola, um tratado político e até mesmo uma visão do apocalipse, a obra nos conta como que durante a Segunda Guerra Mundial, um avião cai numa ilha deserta e os únicos sobreviventes são um grupo de meninos. Após decidirem quem deveria ser o “Chefe”, eles procuram se organizar enquanto esperam um possível resgate, mas aos poucos esses garotos aparentemente inocentes transformam a ilha numa visceral disputa pelo poder, e sua selvageria acabar devorando aos poucos as camadas de civilidade a pouco impregnadas em cada um deles. Cheio de artefatos cruciais para a sobrevivência, lugares encantadores e perigos velado, Senhor das moscas é um clássico moderno que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da essência do ser humano e a fragilidades dos acordos sociais para a sobrevivência mútua.

Eu penei com a leitura no começo admito, apesar de achar a história meio despretensiosa a princípio, fiquei totalmente assombrado com algumas boas cenas até o 6° capítulo, dali pra frente foi só uma escalada de tensão e adrenalina com um desfecho merecido e tocante. Passei a leitura quase inteira tentando adivinhar onde o título da obra iria entrar em ação e para a minha surpresa veio tão magistralmente bem construído numa cena desconcertante e perturbadora que eu fiquei absorto na imaginação. Fora outros três momentos que a leitura me deixou em choque com acontecimentos tragicamente inevitáveis. Confesso também que, por um mínimo instante, pensei em desistir da leitura, mas ainda bem que não o fiz, ela só precisou de tempo para mostrar todo o seu valor e suas pérolas de genialidade. Uma leitura agradável e até que curta de certo ponto de vista, perfeita para tardes chuvosas ou feriados longos, simples e dramática, acho que pode ser indicada a todos os públicos.

Senhor das moscas faz parte dessa linha de obras que me foram indicadas em meio as minhas pesquisas acerca da literatura, comprado por um preço acessível e que não demorou muito para sair da minha biblioteca e ir para a minha cabeceira, deveria ter acabado mais rápido, mas tive n contratempos e só quando fiquei enclausurado por causa de uma enfermidade que finalmente conclui a leitura. A Alfaguara fez um trabalho estupendo com a edição, não há defeitos estéticos ou ortográficos para se apontar, só elogios principalmente a tradução e a belíssima capa.

Concluindo, ele é um romance sem par, lerei de novo com certeza, pois sinto que deixei algo para trás naquela ilha e que só reaverei se somente se caminhar por aquelas praias e coqueiros novamente, eu o avalio como 5/5, garantiu lugar eterno na minha estante, principalmente por me deixar com aquela sensação de coisa sinistra acontecendo por debaixo do ar, rastros de um monstro que não foi derrotado e que nunca poderá sê-lo, uma criatura que vive nas entranhas da floresta de cada um de nós.

 

“E se eu acabar igual aos outros – sem ligar mais? O que vai ser de nós?” (p. 215)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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