AUTOR: William Golding
“Ralph chorava o fim da inocência, as trevas do
coração humano.” (p. 215)
IMPRESSÕES:
Quem nunca se
imaginou sozinho numa ilha paradisíaca sem autoridades ou regras jamais deixou
sua criatividade abrir as asas e voar, coisa que o William Golding fez com
maestria nesse romance, mas não parou por aí, não obstante levou sua
elocubração a um nível superior, ao da realidade, trazendo à tona profundas
verdades acerca da natureza humana cruel e selvagem através da pureza e
simplicidade do que temos de melhor entronizado, a infância.
Vejo agora porque Senhor
das Moscas é um dos romances essenciais da literatura mundial (só depois
que conclui a leitura que fiquei sabendo que ele foi adaptado duas vezes para o
cinema), visto como uma alegoria, uma parábola, um tratado político e até mesmo
uma visão do apocalipse, a obra nos conta como que durante a Segunda Guerra
Mundial, um avião cai numa ilha deserta e os únicos sobreviventes são um grupo
de meninos. Após decidirem quem deveria ser o “Chefe”, eles procuram se
organizar enquanto esperam um possível resgate, mas aos poucos esses garotos
aparentemente inocentes transformam a ilha numa visceral disputa pelo poder, e
sua selvageria acabar devorando aos poucos as camadas de civilidade a pouco
impregnadas em cada um deles. Cheio de artefatos cruciais para a sobrevivência,
lugares encantadores e perigos velado, Senhor das moscas é um clássico
moderno que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da
essência do ser humano e a fragilidades dos acordos sociais para a
sobrevivência mútua.
Eu penei com a
leitura no começo admito, apesar de achar a história meio despretensiosa a
princípio, fiquei totalmente assombrado com algumas boas cenas até o 6°
capítulo, dali pra frente foi só uma escalada de tensão e adrenalina com um
desfecho merecido e tocante. Passei a leitura quase inteira tentando adivinhar
onde o título da obra iria entrar em ação e para a minha surpresa veio tão
magistralmente bem construído numa cena desconcertante e perturbadora que eu
fiquei absorto na imaginação. Fora outros três momentos que a leitura me deixou
em choque com acontecimentos tragicamente inevitáveis. Confesso também que, por
um mínimo instante, pensei em desistir da leitura, mas ainda bem que não o fiz,
ela só precisou de tempo para mostrar todo o seu valor e suas pérolas de
genialidade. Uma leitura agradável e até que curta de certo ponto de vista, perfeita
para tardes chuvosas ou feriados longos, simples e dramática, acho que pode ser
indicada a todos os públicos.
Senhor
das moscas faz parte dessa linha de obras que me foram indicadas
em meio as minhas pesquisas acerca da literatura, comprado por um preço
acessível e que não demorou muito para sair da minha biblioteca e ir para a
minha cabeceira, deveria ter acabado mais rápido, mas tive n contratempos e só
quando fiquei enclausurado por causa de uma enfermidade que finalmente conclui
a leitura. A Alfaguara fez um trabalho estupendo com a edição, não há defeitos
estéticos ou ortográficos para se apontar, só elogios principalmente a tradução
e a belíssima capa.
Concluindo, ele é
um romance sem par, lerei de novo com certeza, pois sinto que deixei algo para
trás naquela ilha e que só reaverei se somente se caminhar por aquelas praias e
coqueiros novamente, eu o avalio como 5/5, garantiu lugar eterno na minha estante,
principalmente por me deixar com aquela sensação de coisa sinistra acontecendo
por debaixo do ar, rastros de um monstro que não foi derrotado e que nunca
poderá sê-lo, uma criatura que vive nas entranhas da floresta de cada um de
nós.
“E se eu acabar igual aos outros – sem ligar mais? O
que vai ser de nós?” (p. 215)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)

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