Em 2010, a Bifrost
Co. & Games, uma empresa especializada em jogos de realidade virtual
com a temática de fantasia e ficção científica, lançou seu primeiro jogo de
realidade virtual de desenvolvimento continuo.
Valhalla foi um
sucesso mundial, um jogo sem igual experienciado por um sistema computacional de
visores e sensores de movimentos que ficavam em uma pequena plataforma
eletrônica, os quais eram chamados de Drakkr. Eles permitiam que os usuários sentissem
como se estivessem fisicamente presentes e ativamente interagindo com os
personagens e os ambientes virtuais programados.
Depois de cinco anos na ativa veio a se tornar
um dos jogos mais populares e influentes da história, com a maior base de
jogadores online por hora e seu grande impacto cultural e econômico.
Uma década
depois de seu lançamento, a empresa anunciou que estaria fechando todos os
servidores do jogo para uma nova e grandiosa atualização que levaria a
experiência de realidade virtual para um novo patamar nunca antes visto.
Aparentemente
a equipe de criadores do jogo tiveram um insight de algo que poderia
revolucionar os padrões eletrônicos e coroar sua criação como jogo mais real e marcante
do mundo.
Levou seis
meses com todos os servidores estagnados antes que a empresa divulgasse em
todas as plataformas digitais e em primeira mão no seu evento de teste beta os
mais novos equipamentos de imersão digital que haviam desenvolvidos.
Foi um
marco tecnológico na história da humanidade, só os criadores tinham total
conhecimento de como chegaram naquele tipo de avanço cientifico, eletrônico e
computacional afim de desenvolverem algo tão extraordinário como as Naus,
os novos meios para imersão digital que tinha a forma de capsulas para o corpo
inteiro experimentar de realidade virtual.
Então o Elysium
foi lançado e não havia limites para o que os jogadores podiam fazer, podendo
se conectarem a uma vasta rede neural que permitia acessar a realidade virtual magnífica
nunca vista antes, mais cativante e diversificada do que a versão anterior do
jogo.
Dessa vez
ele trazia duas modalidades, a saber, a arena de combate entre os jogadores
nomeada de Ilíada onde os usuários poderiam se digladiar para demonstrarem quem
tinha maior maestria no jogo e o modo história que ficou chamado como Odisséia
onde os jogadores vivenciavam aventuras pelo extenso mundo aberto que se
descobria diante de suas mentes estimuladas.
A rede online
do Elysium, a TEIA (Trabalho para Entrelaçamento de Interação
Aprimorada), sempre fora alimentada por uma tecnologia revolucionária conhecida
como Sincronia Mental, que permite que a mente humana se conecte
perfeitamente com o mundo virtual. Ao entrar na rede do jogo, os indivíduos
experimentam uma sensação de expansão da consciência, onde suas mentes se
tornam uma com o tecido da realidade digital.
O que fazia
com que as possibilidades fossem tão infinitas quanto o mundo que fora criado
para ser desbravado. As pessoas podiam passar horas explorando paisagens
surreais, enfrentar criaturas mitológicas, desafiar as leis da física, forjar
equipamentos e criar obras de arte imersivas ou simplesmente relaxar em
ambientes paradisíacos.
Cada
experiência na Teia era única e personalizada, adaptando-se aos desejos e
preferências de cada indivíduo. Logo o jogo se tornou o esporte eletrônico mais
bem quisto das últimas décadas, influenciando pesadamente a economia mundial de
um jeito totalmente inédito.
Até que no
final daquele mesmo ano os casos de morte nas Naus do Elysium
começaram a surgir. Um bug[1]
no jogo que fazia com que as pessoas que experienciavam a morte virtual no
modo Odisseia também falecessem fisicamente na vida real, nomeado como O
Novo Cavalo de Tróia.
A empresa e
os criadores do jogo anunciaram a sua perplexidade em público, ressarciram as
famílias por suas perdas e deram início a uma grande operação, as Cruzadas
Virtuais, para a vistoria e a recalibragem tanto das funções das Naus
como do código fonte do jogo afim de resolverem aquele mal inesperado.
A Ordem dos Cavaleiros
Virtuais foi uma divisão criada pela Bifrost Co. & Games em
parceria com a INTERPOL[2]
para ser uma organização tática terceirizada que é responsável por combater qualquer
tipo de crimes virtuais como terrorismo tecnológico, tráfico de mercadorias e
dados por vias digitais e crimes cibernéticos dentro e fora do jogo.
Ainda
assim, a contragosto de alguns e aclamado pela maioria, eles optaram por não
desativar o jogo já que só um dos modos fora afetado, deixando a Ilíada
com o servidor aberto e funcionando oficialmente, o que fora o bastante para
manter a margem de lucros e ainda assegurar a posição incontestável de melhor
jogo do mundo apesar do escândalo.
Ainda
assim, o modo Odisseia ainda está ativo e aberto para qualquer um que
queira se aventurar, contanto que assine um contrato de responsabilidade,
enquanto a operação de reajuste da modalidade não conseguiu atingir seu
objetivo de restaurá-lo novamente à segurança de outrora.
O que deu
brecha para muitos se arriscarem em busca de novos itens, magias, equipamentos,
instrumentos, buffs e debuffs, habilidades e componentes, todos
agora muito raros, para venderem no mercado negro das camadas mais profundas da
internet afim dos jogadores competitivos da Ilíada conseguirem alguma
vantagem extra nas arenas.
Tudo isso
debaixo do nariz da Ordem dos Cavaleiros Virtuais que vierem se
corrompendo ao longo dos meses devido as oportunidades de lucro por seus
serviços de vista grossa e apoio escuso nas atividades clandestinas dos hackers
e criminosos digitais que potencializaram a comercialização dos dados do jogo
como uma nova fonte de renda ultra rentável.
Destarte, a
nossa realidade ganhou uma nova faceta, uma boa parte da população mundial,
principalmente as de países de terceiro mundo abaixo oprimidas pelo mesmo
sistema político-econômico de sempre, achou promissora a ideia de arriscar a
vida em prol de uma quantia monetário maior que a de um salário mínimo estatal.
O número de
baixas no início foi estratosférico, mas logo se equalizou quando surgiram fontes
confiáveis de divulgação em massa dos tutoriais necessários para enfrentar
campanhas e inimigos feitas por jogadores estrelas que transmitiam seus feitos
em tempo real, geralmente os mais imbatíveis de todo o sistema.
Estes avatares
foram carinhosamente apelidados de algo divino justamente por estarem nos mais
altos níveis ao ponto de poucos poderem enfrenta-los, os próprios criadores acataram
essa ideia e estipularam um ranqueamento para nivelar seus usuários de modo que
só possa existir um número restrito dessa e das outras categorias inferiores.
A classificação
se dá pela seguinte maneira: Semi-Deuses (apenas 12 jogadores no mundo),
Lendas (só 120), Mitos (1.200 no total), Heróis (em suma, 12.120),
Campeões (121.212 usuários), Elites (1.212,121 avatares), Veteranos
(12.121,212, basicamente a maioria dos jogadores que estão na ativa após um
ano de jogo e podem finalmente serem ranqueados).
Para subir
na patente é preciso derrotar no mínimo três da classificação superior em
combates no modo Ilíada, o que por si só é uma tarefa impossível para
aqueles que não se arriscam na modalidade Odisséia, e também é o que impulsiona
os jogadores a arriscarem suas vidas em busca de ouro e glória.
Mas há
aqueles que almejam um prêmio maior, para estes só vencer e lucrar não é o suficiente,
é preciso algo mais... algo... melhor!
[1] Um erro ou falha no código do software que
causa comportamentos inesperados, glitches visuais ou problemas de
funcionamento durante a performance do jogo; o nome vem do inglês pra designar
um inseto, algo indesejado que contamina o ambiente.
[2] A Organização Internacional de Polícia
Criminal é uma organização internacional que facilita a cooperação policial
mundial e o controle do crime.
Autor: John Miranda
(@john.miranda_ejma)

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