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A morte de Ivan Ilitch (por Liev Tolstói)


TÍTULO: A morte de Ivan Ilitch
AUTOR: Liev Tolstói
EDITORA: Principis
PÁGINAS: 95
PERÍODO: 06/02-31/03
 
“Não é possível que eu tenha de morrer. Isso seria horrível demais!”

(p. 58)

 

IMPRESSÕES:

 

Eu estava estudando ontologia para minha pesquisa no curso de Filosofia e em uma das páginas do livro de Heidegger vi o nome desse sujeito mal afortunado que acaba morrendo e sendo tratado indiferentemente por seus entes mais próximos, 7 anos depois eis me aqui com essa história em mãos...

Ivan Ilitch via a si mesmo como alguém distinto, jamais refletindo sobre o destino inevitável que aguarda a todos. Dedicado à busca por prestígio, estabilidade financeira e influência dentro do sistema judiciário da Rússia czarista, ele acreditava estar no caminho do sucesso. No entanto, um acidente aparentemente insignificante desencadeia uma lenta e dolorosa deterioração, mergulhando-o em um sofrimento que a medicina não consegue explicar nem aliviar. Conforme sua condição piora, ele se vê forçado a confrontar uma verdade incômoda: a fragilidade da existência humana. Sua morte simboliza o choque de uma consciência que, apenas no fim, desperta para o real significado da vida.

Curto e grosso, Liev nos entregou uma novela russa característica que não nos deixa outra escolha além de devorar todo o livro o mais rápido possível, o spoiler no título e o primeiro capítulo sendo post mortem são instigantes, tive só uma dificuldade pra manter a constância na leitura por causa dos contratempos da vida, mas nos últimos capítulos não conseguia parar por nada.

 

“Ainda mais terríveis do que os sofrimentos físicos eram os sofrimentos morais, e aquilo era o principal tormento.”

(p. 88)

 

Essa história é a junção de incidente real do autor com o impacto que a sua conversão teve no seu modo de pensar, assim nós ganhamos uma ótima história reflexiva sobre o valor da vida e das coisas nela ante a face da morte. Ivan quer viver, viver como sempre vivera, uma vida agradável, pena que diante do fim de seus dias, tudo aquilo tem gosto de cinzas na sua boca, a maioria do que fez não é eternamente duradouro, levando a refletir se realmente viveu do modo certo; algo que todos nós devemos nos perguntar diariamente.

A editora Principis, sempre com sua simplicidade caprichosa, deu uma nova edição para esse clássico russo, com uma nova revisão, capa fosca de boa aderência, arte conceitual, páginas amareladas e uma diagramação agradável, fora o custo de acessibilidade que cabe no bolso de qualquer um, em resumo, um trabalho invejável e de boa qualidade.

Contudo, admito que eu esperava um pouco mais da obra, acho que criei expectativas demais durante todos esses anos, mas isso não significa que o livro é ruim, muito pelo contrário, ele me surpreendeu indo por uma via inesperada, mas que achei atraente de certa forma, depois pesquisei um pouco mais sobre o livro e obtive ainda mais apreço por ele, ainda assim 3/5.

 

“A morte acabou. Ela não existe mais.”

(p. 95)




Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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