AUTOR: Liev Tolstói
(p. 58)
IMPRESSÕES:
Eu estava
estudando ontologia para minha pesquisa no curso de Filosofia e em uma das
páginas do livro de Heidegger vi o nome desse sujeito mal afortunado que acaba
morrendo e sendo tratado indiferentemente por seus entes mais próximos, 7 anos
depois eis me aqui com essa história em mãos...
Ivan Ilitch via a
si mesmo como alguém distinto, jamais refletindo sobre o destino inevitável que
aguarda a todos. Dedicado à busca por prestígio, estabilidade financeira e
influência dentro do sistema judiciário da Rússia czarista, ele acreditava
estar no caminho do sucesso. No entanto, um acidente aparentemente
insignificante desencadeia uma lenta e dolorosa deterioração, mergulhando-o em
um sofrimento que a medicina não consegue explicar nem aliviar. Conforme sua
condição piora, ele se vê forçado a confrontar uma verdade incômoda: a
fragilidade da existência humana. Sua morte simboliza o choque de uma
consciência que, apenas no fim, desperta para o real significado da vida.
Curto e grosso,
Liev nos entregou uma novela russa característica que não nos deixa outra
escolha além de devorar todo o livro o mais rápido possível, o spoiler
no título e o primeiro capítulo sendo post mortem são instigantes, tive
só uma dificuldade pra manter a constância na leitura por causa dos
contratempos da vida, mas nos últimos capítulos não conseguia parar por nada.
“Ainda mais terríveis do que os sofrimentos físicos
eram os sofrimentos morais, e aquilo era o principal tormento.”
(p. 88)
Essa história é a
junção de incidente real do autor com o impacto que a sua conversão teve no seu
modo de pensar, assim nós ganhamos uma ótima história reflexiva sobre o valor
da vida e das coisas nela ante a face da morte. Ivan quer viver, viver como
sempre vivera, uma vida agradável, pena que diante do fim de seus dias, tudo
aquilo tem gosto de cinzas na sua boca, a maioria do que fez não é eternamente
duradouro, levando a refletir se realmente viveu do modo certo; algo que
todos nós devemos nos perguntar diariamente.
A editora
Principis, sempre com sua simplicidade caprichosa, deu uma nova edição para
esse clássico russo, com uma nova revisão, capa fosca de boa aderência, arte
conceitual, páginas amareladas e uma diagramação agradável, fora o custo de
acessibilidade que cabe no bolso de qualquer um, em resumo, um trabalho
invejável e de boa qualidade.
Contudo, admito
que eu esperava um pouco mais da obra, acho que criei expectativas demais durante
todos esses anos, mas isso não significa que o livro é ruim, muito pelo
contrário, ele me surpreendeu indo por uma via inesperada, mas que achei atraente
de certa forma, depois pesquisei um pouco mais sobre o livro e obtive ainda
mais apreço por ele, ainda assim 3/5.
“A morte acabou. Ela não existe mais.”
(p. 95)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)
Comentários
Postar um comentário