“Deus tem planos e ‘sonhos’ para nós, mas eles dizem
respeito a sua obra e missão na Terra e à maneira que somos encaixados nessa
tarefa”
(p. 50)
IMPRESSÕES:
Então como é ler
um livro e receber um soco no estômago em cada página? Bom, é isso o que
acontece quando você dá de frente com a verdade irrefutável que você tenta
fugir há anos, a saber, Deus não é seu empregado e Ele está sedento como um
leão pra te pegar, bagunçar toda a sua vida e te fazer ver tudo de um jeito
diferente!
Ao longo dos anos
uma mentira descarada e destrutiva se cristalizou no pensamento cristão
ocidental, a de que Deus está aí apenas para nos abençoar nas mais diversas
áreas de nossas vidas, colocar seu selo de aprovação em todos os nossos planos
desvairados e atender ao nosso choro infantil ou pedido de um coração mimado
por mais um sorvetinho açucarado que nos fará mal mais pra frente. O Bibo vem
com esse tijolo rosa quebrar essa vidraça que pintamos de Deus e nos relembrar
que na realidade efetiva das coisas Ele é maior, melhor e mais assustador do
que achamos, com seu chamado para sermos servos de seu chamado de amor e de
amadurecimento nos seus planos eternos.
Todo o livro trata
sobre como temos essa visão distorcida pela cultura pop e mentalidade
infantilizada de que o Senhor é um doador de graças incansável e sem filtros
para o que está sendo pedido, uma fonte dos desejos onde o nome do nosso
Salvador Jesus Cristo se tornou uma palavra mágica. A literatura volta e meia
nos mostra essa imagem de um poder cósmico realizador de desejos (como o
exemplo do Gênio da lâmpada que o Bibo dá), isso amoldou-se à nossa ideia de
Deus, justamente porque houve uma deturpação no uso dos textos bíblicos usados
sem contexto nos últimos anos por pregadores que anseiam granjear e espoliar
através do Evangelho.
A leitura desse
livro foi extremamente oportuna, estava voltando para os braços do Espírito
Santo e para a comunidade cristã, daí me vi na necessidade de consumir algo
edificante, foi quando vi a capa e o título estarrecedores dessa obra. Não é de
se espantar que todos nós temos de ser lembrados continuamente das verdades que
a Palavra tem para nós, muitas delas que precisam de um polimento, apesar de
serem perfeitas, há muita sujeira moderna que fora jogada e encrustada nelas.
Só depois de limpar o terreno e nivelá-lo é possível construir algo sólido e
duradouro, essa é a função desse livro, tirar todo o restolho e bases frágeis
que as últimas gerações definiram como postuladas no cristianismo ou tirar as
sujeiras e pinturas débeis que se encrustaram ao longo dos anos antes de
continuarmos na obra.
Sempre ri muito daquele
meme em que o Jonathan Roumie (ator de The Chosen que interpreta Jesus) não
se aguenta de ri quando o Dallas Jenkins (o criador e diretor da série) apresenta
algo no tablet para ele nos setes de filmagem. Isso é basicamente o que
acontece em nossas vidas, temos planos horríveis para a vida, apesar de
acharmos que são ótimos, mas o Senhor sabe tudo e tenta nos realinhar com Sua
vontade que é boa, perfeita e agradável para nós. O que nos cabe aqui como
servos, amigos e filhos de Deus é alinharmos a nossa vida, desejos e planos com
os dEle, para que seja feita a vontade dEle e não a nossa, para a honra e
glória do nome dEle e não dos nossos.
A Thomas Nelson
parece não falhar em suas edições, essa não é exceção desse padrão, muito pelo
contrário, apresenta uma obra como poucas no mercado de qualidade primorosa da gramatura
da folha a arte da capa, da diagramação do texto ao fitilho de marcação, tudo
bem impecável.
Por mais que eu
relute graças a brevidade e o tamanho da obra, 5/5 é mais do que justo como
nota pelo trabalho do Bibo e da editora, gostaria que se estendesse, porém ela
cumpre perfeitamente com o esperado e como que promete: nos mostrar mais uma
vez que Deus corre solto de acordo com sua vontade feito Aslam em Nárnia, indo
e vindo como quer, fazendo o que deseja, ainda que nunca esquecendo de operar
em favor de seus filhos ingratos e sempre desejosos.
“As nossas orações precisam ter a intimidade
suficiente para chamar Deus de Pai, mas a submissão consciente para pedir que a
vontade dEle seja feita!”
(p. 130)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)

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