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O Deus que destrói sonhos (por Rodrigo Bibo)

 


TÍTULO: O Deus que destrói sonhos
AUTOR: Rodrigo Bibo
EDITORA: Thomas Nelson Brasil
PÁGINAS: 148
PERIODO: 03/04

 

“Deus tem planos e ‘sonhos’ para nós, mas eles dizem respeito a sua obra e missão na Terra e à maneira que somos encaixados nessa tarefa”

(p. 50)

 

IMPRESSÕES:

Então como é ler um livro e receber um soco no estômago em cada página? Bom, é isso o que acontece quando você dá de frente com a verdade irrefutável que você tenta fugir há anos, a saber, Deus não é seu empregado e Ele está sedento como um leão pra te pegar, bagunçar toda a sua vida e te fazer ver tudo de um jeito diferente!

Ao longo dos anos uma mentira descarada e destrutiva se cristalizou no pensamento cristão ocidental, a de que Deus está aí apenas para nos abençoar nas mais diversas áreas de nossas vidas, colocar seu selo de aprovação em todos os nossos planos desvairados e atender ao nosso choro infantil ou pedido de um coração mimado por mais um sorvetinho açucarado que nos fará mal mais pra frente. O Bibo vem com esse tijolo rosa quebrar essa vidraça que pintamos de Deus e nos relembrar que na realidade efetiva das coisas Ele é maior, melhor e mais assustador do que achamos, com seu chamado para sermos servos de seu chamado de amor e de amadurecimento nos seus planos eternos.

Todo o livro trata sobre como temos essa visão distorcida pela cultura pop e mentalidade infantilizada de que o Senhor é um doador de graças incansável e sem filtros para o que está sendo pedido, uma fonte dos desejos onde o nome do nosso Salvador Jesus Cristo se tornou uma palavra mágica. A literatura volta e meia nos mostra essa imagem de um poder cósmico realizador de desejos (como o exemplo do Gênio da lâmpada que o Bibo dá), isso amoldou-se à nossa ideia de Deus, justamente porque houve uma deturpação no uso dos textos bíblicos usados sem contexto nos últimos anos por pregadores que anseiam granjear e espoliar através do Evangelho.

A leitura desse livro foi extremamente oportuna, estava voltando para os braços do Espírito Santo e para a comunidade cristã, daí me vi na necessidade de consumir algo edificante, foi quando vi a capa e o título estarrecedores dessa obra. Não é de se espantar que todos nós temos de ser lembrados continuamente das verdades que a Palavra tem para nós, muitas delas que precisam de um polimento, apesar de serem perfeitas, há muita sujeira moderna que fora jogada e encrustada nelas. Só depois de limpar o terreno e nivelá-lo é possível construir algo sólido e duradouro, essa é a função desse livro, tirar todo o restolho e bases frágeis que as últimas gerações definiram como postuladas no cristianismo ou tirar as sujeiras e pinturas débeis que se encrustaram ao longo dos anos antes de continuarmos na obra.

Sempre ri muito daquele meme em que o Jonathan Roumie (ator de The Chosen que interpreta Jesus) não se aguenta de ri quando o Dallas Jenkins (o criador e diretor da série) apresenta algo no tablet para ele nos setes de filmagem. Isso é basicamente o que acontece em nossas vidas, temos planos horríveis para a vida, apesar de acharmos que são ótimos, mas o Senhor sabe tudo e tenta nos realinhar com Sua vontade que é boa, perfeita e agradável para nós. O que nos cabe aqui como servos, amigos e filhos de Deus é alinharmos a nossa vida, desejos e planos com os dEle, para que seja feita a vontade dEle e não a nossa, para a honra e glória do nome dEle e não dos nossos.

A Thomas Nelson parece não falhar em suas edições, essa não é exceção desse padrão, muito pelo contrário, apresenta uma obra como poucas no mercado de qualidade primorosa da gramatura da folha a arte da capa, da diagramação do texto ao fitilho de marcação, tudo bem impecável.

Por mais que eu relute graças a brevidade e o tamanho da obra, 5/5 é mais do que justo como nota pelo trabalho do Bibo e da editora, gostaria que se estendesse, porém ela cumpre perfeitamente com o esperado e como que promete: nos mostrar mais uma vez que Deus corre solto de acordo com sua vontade feito Aslam em Nárnia, indo e vindo como quer, fazendo o que deseja, ainda que nunca esquecendo de operar em favor de seus filhos ingratos e sempre desejosos.

  

“As nossas orações precisam ter a intimidade suficiente para chamar Deus de Pai, mas a submissão consciente para pedir que a vontade dEle seja feita!”

(p. 130)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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