AUTOR: Pedro Gabriel
“Ser feliz é sempre inédito.”
(p. 150)
IMPRESSÕES:
Quem nunca rabiscou
um guardanapo em um estabelecimento e percebeu que obra de arte tinha feito em
algo tão ínfimo e frágil talvez esteja precisando rever seus conceitos de
romantismo errante. Vemos isso levado ao seu extremo nessa obra, onde um mero
papel descartável se torna quadro de pintura para as mais belas poesias
farristas de um coração perdido na solidão noite.
Antônio, o álter
ego do autor Pedro Gabriel, é o personagem de um romance que está sendo escrito
e vivido através de desenhos e frases, com pitadas de poesia e irreverência,
maravilhosamente expressos em guardanapos, enquanto nosso herói boêmio
frequentas assiduamente seus bares favoritos da cidade, o lugar que achou ideal
para permitir fluir seus sentimentos, encontros e desencontros amorosos em
ilustrações de caligrafia duvidosa, porém belíssimas, no simples papel do
estabelecimento. O que tem continuidade no segundo volume, porém com o
adicional de um novo horizonte, a saber, os fragmentos de textos, um suposto
diário quem sabe, de um intenso relacionamento que teve com uma alguém
misteriosa. O genial de toda essa desenvoltura poética visual é derivado da
página do Facebook do autor que fora um fenômeno na internet em sua época de
estreia.
Um dia enquanto eu
mostrava alguma das obras que eu estava lendo para minha amiga, ela me
questionara se eu conhecia o tal do “Antônio” que fazia artes num guardanapo,
eu fui sincero ao responder que nem sabia que isso poderia existir. Uma semana
depois ela estava me emprestando o primeiro livro, meses depois ganhei o
segundo, agora eu conheço o rapaz e suas obras de arte pândegas.
Acho que nunca li
nada igual na vida, o duplo impacto que a obra lhe causa, a visual e a
literária, é incomparável, é o tipo de livro que todo universitário leria
enquanto esperam as aulas começarem ou pegam seus ônibus de volta pra casa.
Confesso que a experiência com o primeiro foi bem melhor do que o de seu
sucessor, talvez por causa de ter sido algo inédito para mim ou até mesmo por
todo o contexto que me rodeava, o segundo teve seu nível de profundidade para
compensar ser apenas uma continuação de seu anterior, mas ambos brilham de
igual forma.
As edições são impecáveis, a editora
Intrínseca fez um trabalho único e muito delicado para trazer um formato e uma
aura especiais para a coletânea, o tamanho propositalmente parecido com o de um
guardanapo, as folhas durinhas e cheias de fotos no fundo, o cuidado com a
biografia e extras, tudo junto com a caligrafia e os desenhos do jovem autor
contribuíram para criar um livro sem igual em todo o mercado.
Eu os avalio com
3/5, o preço pesa um pouco e o segundo infelizmente decaí em qualidade por não
trazer nada de novo, por si só o primeiro é 4/5, mas como estou avaliando ambos
penalizei um pouco a dupla, fora que não é muito meu estilo de literatura favorita.
Ainda assim estão aqui na minha estante e não irão a lugar algum, sinto que se
algum dia for em algum bar com certeza levarei ele e uma caneta, a experiência
que ele nos apresenta é algo tão simples, universal e inovador que encanta
qualquer ao ponto de lhe inspirar a tentar derramar as emoções em versos sobre
os guardanapos de um estabelecimento qualquer.
“O amor é meio que um começo sem fim.”
(p. 53)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)
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