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Eu me chamo Antônio & Segundo eu me chamo Antônio (por Pedro Gabriel)

 

 

TÍTULO: Eu me chamo Antônio e Segundo eu me chamo Antônio
AUTOR: Pedro Gabriel
EDITORA: Intrínseca
PÁGINAS: 192
PERIODO: 15-16/02 e 21/08

 

“Ser feliz é sempre inédito.” (p. 150)

 

IMPRESSÕES:

Quem nunca rabiscou um guardanapo em um estabelecimento e percebeu que obra de arte tinha feito em algo tão ínfimo e frágil talvez esteja precisando rever seus conceitos de romantismo errante. Vemos isso levado ao seu extremo nessa obra, onde um mero papel descartável se torna quadro de pintura para as mais belas poesias farristas de um coração perdido na solidão noite.

Antônio, o álter ego do autor Pedro Gabriel, é o personagem de um romance que está sendo escrito e vivido através de desenhos e frases, com pitadas de poesia e irreverência, maravilhosamente expressos em guardanapos, enquanto nosso herói boêmio frequentas assiduamente seus bares favoritos da cidade, o lugar que achou ideal para permitir fluir seus sentimentos, encontros e desencontros amorosos em ilustrações de caligrafia duvidosa, porém belíssimas, no simples papel do estabelecimento. O que tem continuidade no segundo volume, porém com o adicional de um novo horizonte, a saber, os fragmentos de textos, um suposto diário quem sabe, de um intenso relacionamento que teve com uma alguém misteriosa. O genial de toda essa desenvoltura poética visual é derivado da página do Facebook do autor que fora um fenômeno na internet em sua época de estreia.

Um dia enquanto eu mostrava alguma das obras que eu estava lendo para minha amiga, ela me questionara se eu conhecia o tal do “Antônio” que fazia artes num guardanapo, eu fui sincero ao responder que nem sabia que isso poderia existir. Uma semana depois ela estava me emprestando o primeiro livro, meses depois ganhei o segundo, agora eu conheço o rapaz e suas obras de arte pândegas.

Acho que nunca li nada igual na vida, o duplo impacto que a obra lhe causa, a visual e a literária, é incomparável, é o tipo de livro que todo universitário leria enquanto esperam as aulas começarem ou pegam seus ônibus de volta pra casa. Confesso que a experiência com o primeiro foi bem melhor do que o de seu sucessor, talvez por causa de ter sido algo inédito para mim ou até mesmo por todo o contexto que me rodeava, o segundo teve seu nível de profundidade para compensar ser apenas uma continuação de seu anterior, mas ambos brilham de igual forma.

 As edições são impecáveis, a editora Intrínseca fez um trabalho único e muito delicado para trazer um formato e uma aura especiais para a coletânea, o tamanho propositalmente parecido com o de um guardanapo, as folhas durinhas e cheias de fotos no fundo, o cuidado com a biografia e extras, tudo junto com a caligrafia e os desenhos do jovem autor contribuíram para criar um livro sem igual em todo o mercado.

Eu os avalio com 3/5, o preço pesa um pouco e o segundo infelizmente decaí em qualidade por não trazer nada de novo, por si só o primeiro é 4/5, mas como estou avaliando ambos penalizei um pouco a dupla, fora que não é muito meu estilo de literatura favorita. Ainda assim estão aqui na minha estante e não irão a lugar algum, sinto que se algum dia for em algum bar com certeza levarei ele e uma caneta, a experiência que ele nos apresenta é algo tão simples, universal e inovador que encanta qualquer ao ponto de lhe inspirar a tentar derramar as emoções em versos sobre os guardanapos de um estabelecimento qualquer.

 

“O amor é meio que um começo sem fim.” (p. 53)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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