(p. 169)
Quando você acha que a boa e velha Westeros não pode mais te surpreender, você se maravilha com mais uma de suas histórias viceralmente encantadoras que nos desvela como o mundo, real ou fantástico, pode ser tão singelo e cruel ao mesmo tempo.
Sor Duncan, o alto, ou apenas Dunk para o mais íntimos, acaba de perder o seu mentor, sor Arlan de Centarbor, e inicia sua jornada com um cavaleiro andante de pelos vastos reinos de Westeros. Em meio a uma dessas andanças, nosso gigante gentil em cota de malha conhece Egg, um garotinho careca e bocudo cheio de surpresas, que logo se torna seu escudeiro e o auxilia a participar de um torneio de justas em homenagem ao aniversário da filha de um senhor menor. Era a oportunidade perfeita para lucrar dinheiro e fama, ele só não contava com a presença e a participação da família real ali, os caóticos Targaryens.
Além desse, temos ainda outros dois contos (O cavaleiro andante, A espada juramentada e O cavaleiro misterioso), um perto de Dorne e outro em direção ao norte westerosi, mas em todos eles os personagens são tão polidos em sua caracterização como só o George pode fazer. Penso que não consigo decidir qual das três histórias mais gostei, cada uma me trouxe um sentimento tão genuíno e diferente dos demais que acho não ter a capacidade de ranqueá-los. A revelação do Egg e o destino dos filhos do rei são realmente chocantes; a história da disputa entre lady Webber e sor Eustace Osgrey é tão bem construída e complexa que você é preso nela como que por uma teia; já a do ovo de dragão no casamento do lorde Butterwell é algo tão tenso e frenético que penso que seja uma das melhores histórias desse mundo.
(p. 66)
Devo admitir que o meu favorito, talvez até da saga inteira, é o Brynden Rivers, o afamado Corvo de Sangue (vai dizer que essa alcunha não é demais), que apesar de termos menções por todas as páginas, só aparece no finalzinho para nos dar um plot twist de explodir cabeças. Mas voltando os holofotes aos protagonistas da aventura, todos temos de concordar que o Dunk e o Egg tem uma sinergia fantástica, são uma dupla perfeita e acho que a série que lançou recentemente conseguiu mostrar isso, li o livro semanas antes, mas acredito que a adaptação foi plenamente fiel a tudo o que encontrei nessas páginas.
Mas a pergunta que não quer calar... O Dunk foi nomeado cavaleiro por sor Arlan sim ou não? Eu antes tinha a certeza que sim, mas, enquanto lia o terceiro conto, vi uma frase que devolveu a pulga para trás da minha orelhas novamente. Contudo, o que nos importa é que ele age como um e, uma hora ou outra, todos mundo percebe, assim como o Egg viu desde o começo, não só um cavaleiro andante com dignidade buscando o sustento através de trabalho honesto, mas um bom cavaleiro que honra o próprio conceito de cavalaria.
(p. 56)
O livro é belíssimo, apesar de não haver mudanças no conteúdo em comparação a edição anterior, essa capa faz jus a grandeza da obra, além é claro das ilustrações no início de cada capítulo que nos dá uma porta de imersão na história.
Minha coleção do universo d'As Crônicas de Gelo & Fogo está uma preciosidade só, um conjunto de pedras preciosas na minha biblioteca pessoal, creio que talvez esse seja a forma que o Martin mais gosta de escrever, da pra sentir que ele se demorou e se deleitou bastante nos três contos; nota máxima pro livro.
(p. 28)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)
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