AUTOR: Miyamoto Musashi
EDITORA: HB
PÁGINAS: 158
PERÍODO: 17-19/02/2024
“O samurai deve ter por princípio superar em tudo a todos os demais.”
(p. 44)
IMPRESSÕES:
Você começa o livro sem muitas expectativas além de aprender algumas lições orientais de filosofia de vida e sai de sua leitura querendo uma Katana e uma Wakizashi, ou até mesmo um Bokken de treinamento, para colocar em prática imediatamente tudo o que aprendeu naquelas páginas, desejando ardentemente ser um guerreiro como autor.
Como um tratado de artes marciais único, “O Livro dos Cinco Anéis”, escrito em 1643 pelo famoso e invencível samurai Miyamoto Musashi (1584-1645), é um manual perfeito para vencer as batalhas diárias no corpo e na mente de um guerreiro. Desde muito jovem instruído no “caminho do guerreiro”, o código de conduta e modo de vida para os samurais que inclui equilíbrio, sabedoria e honra, Musashi derrotou mais de sessenta oponentes e depois de duas décadas de reclusão, voltou com essa obra em mãos onde reforça a necessidade de praticar a arte militar com pureza e atingir a Quintaessência do que é ser um guerreiro com toda a maestria e disciplina possível, mesmo em tempos de paz como na sua segunda fase da vida, o que pode ser estendido, o que é feito muito nos dias atuais, nas demais jornadas atemporais da vida.
“Sem conhecer bem os outros, é difícil conhecer a nós mesmos.”
(p. 53)
Foram basicamente três dias com essa obra, o primeiro com os conteúdos extras que a edição trouxe os outros dois com a obra propriamente dita, o contexto da vida do Musashi é realmente instigante, uma vida quase impecável de vitórias e uma vintena de anos na reclusão tornam sua persona quase lendária, o que por si só já garante bastante peso para as suas palavras e técnica que vem admoestar os demais a aprender.
A obra é dividida em cinco capítulos, daí que veio a ideia do título (5 anéis), mas tudo isso é uma referência a um contexto filosófico budista que acredita na confluência e na materialização de todo o universo através de cinco elementos, a saber, terra; água; fogo; vento e vácuo; o próprio livro segue essa mesma sequência. Na primeira secção (terra) ele vai discorrer como deve se seguir o caminho do guerreiro e qual a sua importância mesmo em um tempo sem uma guerra objetiva a se travar. No segundo capítulo (água) ele explana as vantagens da sua escola de esgrima (Niten-Ryu) e, em seguida, complementa destrinchando as táticas da arte militar no terceiro (fogo). Na quarta parte (vento) da sua obra ele vai expor e criticar os defeitos que conseguiu observar nos demais dôjôs que o tornam superficiais demais e finaliza (vácuo) demonstrando com sua própria história de vida o que é verdadeiramente ser um samurai ao explicar o conceito de incorporar os aprendizados dos mandamentos da espada.
Como seu anterior já lido dessa coleção, esse livro faz parte de um box especial focado nas obras acerca das estratégias orientais, eu o adquiri por um preço super acessível e toda a sua estética minimalista japonesa dão um toque de maestria no seu acabamento. Entretanto, as folhas são brancas e a diagramação é mediana, mas me deparei com quase nenhum erro ortográfico nesse manifesto, o que é muita coisa em comparação como anterior, acredito que esse sejam os únicos pontos negativos do trabalho da editora, mas nesse aqui eles capricharam em conteúdos extras e em páginas divisórias, o que melhorou muito a experiência de leitura.
Eu já tinha ouvido falar o seu nome e até vir a conhecer alguns de seus ensinamentos, mas muito pouco, o que despertou meu interesse por sua figura e produções literárias, ainda assim deixei as expectativas controladas, mesmo estando bem empolgado. De certa forma fui bem surpreendido, o livro é rápido, entretanto é fulcral, sem rodeios e com boas explicações dos seus conceitos, apesar de não se aprofundar nos pormenores, o que encorparia bastante o texto, mas o chamado a reflexão torna as suas poucas páginas em muito material para meditação que acho que era o seu objetivo; 3/5.
“É essencial polir tanto a sabedoria quanto o espírito.”
(p. 69)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)
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