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A faca sútil (por Phillip Pullman)

 


TÍTULO: A faca sútil
AUTOR: Phillip Pullman
EDITORA: Suma
PÁGINAS: 285
PERÍODO: 20-29/02/2024

 

“Haveria, afinal, um único mundo, que passava o tempo sonhando com outros mundos.”

(p. 71)

 

IMPRESSÕES:

 

    Como é rasgar a trama que é feito o universo para abrir uma porta e visitar outro mundo? Encontraria um lugar parecido como esse em que vivo com apenas algumas variações que o tornaria totalmente estranho para mim num efeito borboleta incontrolável? Como seria falar com os anjos? Depois de ler essa obra, tenho um pouco mais de noção que as respostas para essas perguntas talvez não sejam as que eu esperasse.

    Nesse segundo livro da Trilogia Fronteiras do Universo, Lyra Belacqua e seu daemon, Pantalaimon, fazem a maravilhosa descoberta, não de um novo mundo, isso é muito normal, mas sim de um novo amigo, Will Parry, assassino fugitivo, uma criança também longe de seu próprio mundo que tragicamente se torna o portador de uma arma descomunalmente poderosa, a faca sútil da guilda da cidade Cittàgazze, outrora rica e que agora vive assombrada por Espectros consumidores de . Juntos terão de enfrentar a tudo e a todos ao passo que se descobrem crescendo e finalmente atingindo algum tipo de maturidade ao agirem e aprenderem muito um com o outro. Tudo isso unido as viagens de Lee Scoresby, os feitiços de Serafina Pekkala, os tentáculos do Magisterium no novo mundo, as maquinações de Marisa Coulter e o plano mor de Asriel à todo o vapor, principalmente agora que tem anjos de seu lado na luta contra a Autoridade.

    Há algo em assistir a adaptação antes de ler o livro que afeta a sua experiência de leitura, acho que saber o final talvez reduza as suas reações de surpresa e espanto com o que vem sendo narrado, além disso, a comparação é inevitável, as expectativas também são outras, ainda assim, uma obra bem escrita e emocionante como essa surte efeitos que nenhum spoiler pode abrandar.

 

“O perigo podia ter aparência amigável e a traição sorria e cheirava bem.”

(p. 145)

 

    Senti falta do rei urso, Iorek Byrnison, que fora meu personagem favorito no último livro e do Asriel mais presente, só tivemos citações sobre sua pessoa, mas entendo suas faltas aqui nessa parte da história dando espaço para outros brilharem como Serafina Pekkala que foi espetacular, a presença da feiticeira fez toda a diferença, assim como a do xamã, Stannislau Grumman, ou John Parry (Jopari, que piada boa, ri muito), não vou comentar a morte desnecessária do Lee Scoresby, é algo que venho negado desde que vi a Hester se despedindo dele, fiquei revoltado. Ainda assim, o Will foi a verdadeira estrela dessa narrativa, engraçado porque a Lyra, embora sempre presente, foi menos carismática e influente do que ele na minha opinião. Ela estava um pouco diferente da primeira Lingua mágica que conhecemos na obra passada, talvez por sentir culpa pela morte de seu amigo, em contrapartida, o novo portador da faca sútil foi excelente, gostei bastante do personagem, de sua história e de seu desfecho no livro.

    A edição é fantástica, segue o conjunto da trilogia, a capa fosca e com os detalhes brilhantes conquistam qualquer uma à primeira vista, a diagramação bem ajustada e as folhas amarelas fecham com chave ouro o bom trabalho da editora. Meu livro faz parte de um box, todos os outros seguem essa régua de qualidade, infelizmente o box não, com certeza foi feito por outro alguém porque é de qualidade bem inferior no aspecto, mas na qualidade do material ele é ótimo.

    Acho esse instrumento, a faca sútil, tão bem criado quanto a bússola de ouro, ambos formam uma dupla imparável, uma genialidade para poucos criar algo assim, estou realmente inspirado por eles. Os novos mundos abertos entre si é algo estarrecedor, a guerra que estar por vir e os destinos de todos os personagens é algo que me parece imperdível, assim como foi essa continuação, 5/5.

 

“Encontrei loucura em toda parte, mas havia grãos de sabedoria em todos os casos de loucura. Sem dúvida havia muito mais sabedoria do que eu conseguia reconhecer.”

(p. 247)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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