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Diva (por José de Alencar)

 


TÍTULO: Diva
AUTOR: José de Alencar
EDITORA: Principis
PÁGINAS: 111
PERÍODO: 20-23/05/2024

 

“Se o mundo soubesse um dia a história que eu te conto, Paulo, ele exclamaria sem dúvida: ‘É impossível! Essa mulher não existiu!’. E o mundo teria razão.”

(p. 72)

 

IMPRESSÕES:

 

Eu estava decidido a iniciar uma jornada pelos clássicos brasileiros após ler tanto os estrangeiros, parte de mim sabia que devia começar por Machado de Assis ou José de Alencar, Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Iracema eram as obras pelas quais mais anelava meu coração, mas como não escolhemos por quem vamos nos apaixonar mal sabia eu que iria acabar amando Diva, mirei no autor certo, mas na mulher errada.

Após uma longa data sem manter contato com o amigo, o médico recém-formado, Augusto Amaral, envia um extenso documento para o seu colega, Paulo, no qual relata o salvamento de uma enfermidade que quase a leva à morte a jovem Emília e o despertar de uma paixão por ela anos depois quando se reencontram. Diferente da garota tímida e retraída de quem cuidou, a moça extremamente encantadora e mais bela da corte, uma diva dos salões e das afeições, Mila se revela como uma donzela rodeada de pretendentes, tendo olhos para todos... menos para Augusto, até que os corações dos dois são despejados na alma um do outro em meio as intempéries do amor que cresce como uma flor selvagem, com suas diáfanas pétalas e bruscos espinhos, ao passo que estreitam sua relação.

 

“Para que serviria a vida, se ela fosse uma cadeia? Viver é gastar, esperdiçar a sua existência, como uma riqueza que Deus dá para ser prodigalizada. Os que só cuidam de preservá-la dos perigos, esses são os piores avarentos!”

(p. 69)

 

Ganhei essa obra de uma nova amizade que desenvolvi nos últimos meses, veio com uma ótima dedicatória (na verdade nunca ganhei um com dedicatória antes), veio com alguns trechos grifados, o que pra mim é um sacrilégio para a experiência literária, mas como estava com a mão direita machucada e não podia anotar as passagens em meu diário de leitura, acabei acatando a ideia e acabando de grifá-lo por inteiro, ela dizia-me que eu iria adorar a leitura, acabei amando.

É impressionante como a leitura é cativante, o enredo é tão envolvente que eu não queria parar de ler o livro pra fazer qualquer outra coisa, tive de me obrigar a dar pausas para comer, a escrita pode estar em um português um pouco mais antigo, mas ainda assim é claro e acessível sem deixar de ser bem culto, volta e meia tinha de pesquisar uma palavra ou outra e isso eu amo fazer. Ambos os personagens principais, a diva e o galã, são bem escritos, com boas camadas e espíritos que nos tocam profundamente, me identifiquei muito com a melancolia de Amaral e o idealismo amoroso da Duartesinha, não consegui deixar de querer que eles ficassem juntos nem por um segundo apesar das raivas que as situações que os dois se metiam me fizessem sentir.

 

“Havia nela inspiração heroica e a tentação satânica que o gênio do bem e do mal derrama sobre a humanidade pela transfusão da mulher.”

(p. 101)

 

A editora Principis tem essa simplicidade que por vezes mostra grande elegância na sua frugalidade, a edição não trás nada de especial além da própria obra que por si só já é uma joia rara para qualquer biblioteca, seu brilho em nada é ofuscado, mas é de se admitir que as folhas amarelas e de gramatura especificas são ótimas para a leitura, a capa é singela com um retrato do perfil de Emília (que por acaso parece muito com uma amiga escritora minha) num material ótimo para a limpeza, em suma, uma ótima feitura.

É vergonhoso dar apenas 5/5 para essa obra maravilhosamente intensa, um presente tão inesperado quanto bem-vindo, José de Alencar não brinca mesmo, o final foi a minha parte favorita, o vigésimo capítulo é tão arrebatador que o li unas três vezes seguidas eu acho, que minha ventura amorosa (bem semelhante à deles) possa ser tão bela e forte quanto a experiência desses dois e da leitura de seu ardente e flórido romance.

 

“Espere! Talvez não espere muito tempo!”

(p. 78)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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