Pular para o conteúdo principal

A sútil arte de ligar o f*da-se (por Mark Manson)



TÍTULO: A sútil arte de ligar o f*da-se
AUTOR: Mark Manson
EDITORA: Intrínseca
PÁGINAS: 155
PERÍODO: 24/05-17/06

 

“O segredo para uma vida melhor não é precisar de mais coisas; é se importar com menos, e apenas com o que é verdadeiro, imediato e importante.”

(p. 12)

 

IMPRESSÕES:

 

Eu nunca conheci alguém com uma opinião razoável ou um sentimento moderado com relação a essa obra, o odeiam com veemência taxando de superficialidade de coach com propaganda enganosa devido a sua capa estampada com um palavrão ou o amam e defendem fortemente suas ideias e estilo realista considerando-o o livro que mudou suas vidas; bem eu acho que não consigo me situar em nenhum desses extremos. Sempre quando falavam dele para mim e perguntavam qual era a minha opinião nunca deixei de responder que um dia iria ler para ter uma ideia do que comentar, depois me abstinha de dar meu parecer, então eu o ganhei repentinamente enquanto visitava um dos meus amigos que tinha repulsa desse tipo de manuscrito e depois de passar duas semanas empacados nele o terminei e acho que finalmente chegou o dia de dar meu parecer.

 O que Mark Manson tem a nos dizer sobre o que realmente importa na vida? Bem, depende do que você escolher; como escritor sagaz de um olhar crítico peculiar ele tem uma visão bem madura, embora radicalmente anormal às vezes, para propor um novo meio rumo a uma vida melhor, mais coerente com a nossa realidade vigorante e consciente dos nossos limites pessoais, da maneira mais esculachada possível, claro. Como aquele blogueiro do começo da internet, Mark mostra o que toda a sua carga de experiências aventurescas, na maioria das vezes trágica: nós não somos tão especiais, uma ou outra piada aqui e ali, nos apresenta uma pancada de relatos interessantes e joga umas verdades bem duras na sua cara e pronto! Enfim uma abordagem franca e inteligente que busca nos ajudar a descobrir o que é realmente importante na nossa vida, e, como ele gostou de enfatizar, dane-se o resto.

 

“A ideia não é fugir das merdas. É descobrir qual tipo de merda você prefere lidar.”

(p. 19)

 

Tenho de admitir que o Mark “marcou” (desculpa o trocadilho) o gênero ao trazer uma subversão do mesmo (Coaching, autoajuda, desenvolvimento pessoal, mentalização positiva) deixando de lado todo aquele papo positivista em prol de uma aproximação mais pessoal com os problemas pessoais do leitor nivelando todos na condição de um ser humano que provavelmente está estragando a sua própria vida com suas escolhas péssimas, e isso é bem maneiro, principalmente aqui no Brasil onde os memes virtuais gostam de ridicularizar essa casta de gurus que o próprio Mark acaba caindo no final.

Apesar de querer mostrar uma corrente de pensamento da absorção do negativo como ponte para um crescimento interno positivo, na maioria das vezes ele acabou apenas se contradizendo entre um ou outro capítulo, deixando muito a desejar se sua meta era propor um aprendizado paradoxalmente instrutivo como vemos nos ensinamentos de Cristo ou na filosofia de Sócrates, por exemplo quando ele toma por base um mundo caótico, mas quer que esperar bons resultados de suas boas escolhas como se o universo injusto que ele engendrou para iniciar seus pensamentos fosse converter-se em um cosmo justo só porque o leitor mudou o seu mindset, ou seja, só é caótico quando lhe convém? Enfim, há outros casos assim ao longo da obra tipo informações tiradas da cartola ou exemplos dados fora do contexto.

Em contrapartida, ele tem um profundo conhecimento de psicologia e que consegue expor seus conceitos e teorias com bastante clareza, além de que a sua experiência na escrita é bem visível, ele sabe contar uma história, diga-se de passagem, embora use uma linguagem chula (um grande défice, apesar de saber que para ele deve ser um de seus pontos fortes). O tal do “Panda da desilusão”, o super herói das verdades cruéis e necessárias é algo de uma simplicidade genial, acho que todo mundo já pensou nesse arquétipo algum dia, fico feliz que o Manson foi o felizardo que finalmente colocou isso no papel.

O livro físico é comum, embora bem chamativo, as cores e o título provavelmente fazem todo o trabalho, a capa é de um ótimo material, mas não ter orelhas me deixou um bem desconfortável, a diagramação é boa, as folhas amarelas também, a editora Intrínseca soube trazer a simplicidade nua e crua do conceito do livro na sua fabricação. Mas aqui deixou um ponto negativo, ele era mais acessível antigamente, contudo, agora é vendido a um preço três vezes maior do que antes, o que é ultrajante.

Que rufem os tambores... 3/5, se eu desse uma nota menor acho que não estaria sendo justo, essa é uma obra legal, interessante, até envolvente em algumas partes, teve momentos que não consegui larga-lo até terminar o capítulo, outros que procrastinei continuar, ainda assim, tirei algumas pedras valiosas garimpando esse livro e posso admitir que não foi uma experiência tão ruim quanto eu imaginei que seria, se leria de novo? Provavelmente se eu precisasse de algo específico nele, o que acho bem possível acontecer, não nego, mas ele não tem lugar na minha biblioteca, infelizmente, apesar de recomendá-lo para aqueles que talvez estejam enjoados de ler aqueles coachs positivistas, vai ser uma sútil arte de mudar suas perspectivas.

 

“Maturidade é o que acontece quando aprendemos a só ligar para o que vale a pena.”

(p. 21)

Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

...

Comentários