“O segredo para uma vida melhor não é precisar de mais
coisas; é se importar com menos, e apenas com o que é verdadeiro, imediato e
importante.”
(p. 12)
IMPRESSÕES:
Eu nunca conheci
alguém com uma opinião razoável ou um sentimento moderado com relação a essa
obra, o odeiam com veemência taxando de superficialidade de coach com
propaganda enganosa devido a sua capa estampada com um palavrão ou o amam e
defendem fortemente suas ideias e estilo realista considerando-o o livro que
mudou suas vidas; bem eu acho que não consigo me situar em nenhum desses
extremos. Sempre quando falavam dele para mim e perguntavam qual era a minha
opinião nunca deixei de responder que um dia iria ler para ter uma ideia do que
comentar, depois me abstinha de dar meu parecer, então eu o ganhei repentinamente
enquanto visitava um dos meus amigos que tinha repulsa desse tipo de manuscrito
e depois de passar duas semanas empacados nele o terminei e acho que finalmente
chegou o dia de dar meu parecer.
O que Mark Manson tem a nos dizer sobre o que
realmente importa na vida? Bem, depende do que você escolher; como escritor sagaz
de um olhar crítico peculiar ele tem uma visão bem madura, embora radicalmente
anormal às vezes, para propor um novo meio rumo a uma vida melhor, mais
coerente com a nossa realidade vigorante e consciente dos nossos limites
pessoais, da maneira mais esculachada possível, claro. Como aquele blogueiro do
começo da internet, Mark mostra o que toda a sua carga de experiências aventurescas,
na maioria das vezes trágica: nós não somos tão especiais, uma ou outra piada
aqui e ali, nos apresenta uma pancada de relatos interessantes e joga umas
verdades bem duras na sua cara e pronto! Enfim uma abordagem franca e
inteligente que busca nos ajudar a descobrir o que é realmente importante na nossa
vida, e, como ele gostou de enfatizar, dane-se o resto.
“A ideia não é fugir das merdas. É descobrir qual tipo
de merda você prefere lidar.”
(p. 19)
Tenho de admitir
que o Mark “marcou” (desculpa o trocadilho) o gênero ao trazer uma subversão do
mesmo (Coaching, autoajuda, desenvolvimento pessoal, mentalização positiva)
deixando de lado todo aquele papo positivista em prol de uma aproximação mais
pessoal com os problemas pessoais do leitor nivelando todos na condição de um
ser humano que provavelmente está estragando a sua própria vida com suas
escolhas péssimas, e isso é bem maneiro, principalmente aqui no Brasil onde os
memes virtuais gostam de ridicularizar essa casta de gurus que o próprio Mark
acaba caindo no final.
Apesar de querer
mostrar uma corrente de pensamento da absorção do negativo como ponte para um
crescimento interno positivo, na maioria das vezes ele acabou apenas se
contradizendo entre um ou outro capítulo, deixando muito a desejar se sua meta
era propor um aprendizado paradoxalmente instrutivo como vemos nos ensinamentos
de Cristo ou na filosofia de Sócrates, por exemplo quando ele toma por base um
mundo caótico, mas quer que esperar bons resultados de suas boas escolhas como
se o universo injusto que ele engendrou para iniciar seus pensamentos fosse
converter-se em um cosmo justo só porque o leitor mudou o seu mindset,
ou seja, só é caótico quando lhe convém? Enfim, há outros casos assim ao longo
da obra tipo informações tiradas da cartola ou exemplos dados fora do contexto.
Em contrapartida,
ele tem um profundo conhecimento de psicologia e que consegue expor seus
conceitos e teorias com bastante clareza, além de que a sua experiência na
escrita é bem visível, ele sabe contar uma história, diga-se de passagem,
embora use uma linguagem chula (um grande défice, apesar de saber que para ele
deve ser um de seus pontos fortes). O tal do “Panda da desilusão”, o super
herói das verdades cruéis e necessárias é algo de uma simplicidade genial, acho
que todo mundo já pensou nesse arquétipo algum dia, fico feliz que o Manson foi
o felizardo que finalmente colocou isso no papel.
O livro físico é comum,
embora bem chamativo, as cores e o título provavelmente fazem todo o trabalho, a
capa é de um ótimo material, mas não ter orelhas me deixou um bem
desconfortável, a diagramação é boa, as folhas amarelas também, a editora
Intrínseca soube trazer a simplicidade nua e crua do conceito do livro na sua
fabricação. Mas aqui deixou um ponto negativo, ele era mais acessível
antigamente, contudo, agora é vendido a um preço três vezes maior do que antes,
o que é ultrajante.
Que rufem os
tambores... 3/5, se eu desse uma nota menor acho que não estaria sendo justo, essa
é uma obra legal, interessante, até envolvente em algumas partes, teve momentos
que não consegui larga-lo até terminar o capítulo, outros que procrastinei
continuar, ainda assim, tirei algumas pedras valiosas garimpando esse livro e
posso admitir que não foi uma experiência tão ruim quanto eu imaginei que
seria, se leria de novo? Provavelmente se eu precisasse de algo específico
nele, o que acho bem possível acontecer, não nego, mas ele não tem lugar na
minha biblioteca, infelizmente, apesar de recomendá-lo para aqueles que talvez
estejam enjoados de ler aqueles coachs positivistas, vai ser uma sútil
arte de mudar suas perspectivas.
“Maturidade é o que acontece quando aprendemos a só
ligar para o que vale a pena.”
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)
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