Há quem diga que para todo
triunfo é necessária uma tragédia, a sagrada glória só é dada aqueles que estão
dispostos a fazerem grandes sacrifícios.
Um rei parte ou retorna da
guerra, quiçá de uma cruzada, a encarnação da autoridade e da virilidade,
esbanjando sua nobreza através dos símbolos de Honra, Glória, Louvor,
Poder, Força, Domínio e Majestade como o cavalo branco, a armadura dourada,
a espada em mãos, a coroa cintilando na cabeça, os brasões flamulando, os
estandartes erguidos, as hostes a segui-lo. Sendo cortejado com honrarias e
festejos, elogios aos montes, cores e vida o rodeiam, seja pelas pétalas das
flores que pavimentam sua marcha ou das donzelas encantadas com sua presença.
Ainda assim, ele não consegue retirar seus olhos do marco que encontrara pelo caminho, o poste com o agouro, em forma de estátua, sobre reinar, valeria a pena ser rei se custava tanto assim? Recairia em tal amarga provação ou já passara e agora estava sendo dolorosamente recordado? Seria ele também julgado pelos seus quando retornasse ou já iria em breve quando lhes contasse sobre as perdas que tiveram? E não importando o que fizesse ainda haveria aquela coroa acima da dele, o reinado do outro permaneceu firme por todo esse tempo e, com certeza, permanecerá por muito mais, mas ele poderia dizer isso do seu?
Todos os olhares se voltam para o rei, todavia os dele, duros por cima de um queixo erguido e nariz empinado, estão fixados na outra coroa e aquele que a usa olha para todos os que estão abaixo dando lhe uma lição do que é ser um monarca através da Humildade, Mansidão, Serviço, Piedade, Justiça, Auto sacrifício e um Amor apaixonado pelos servos.
Dizem que Luís IX, o único rei da França a ser canonizado pela Igreja como santo, alegava que nunca se sentiria digno de usar uma coroa de ouro e cheia de joias preciosas, como os demais reis, uma vez que o seu rei e salvador havia usado uma coroa de espinhos, que entre as duas preferia coroa nenhuma.
Texto: John Miranda
(@john.miranda_ejma)
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