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Alice (por Lewis Carrol)



TÍTULO: Alice
AUTOR: Lewis Carroll
EDITORA: Pandorga
PÁGINAS: 296
PERÍODO: 01-25/09
 

“Aqui somos todos loucos. Eu sou louco. Você é louca.”

(p. 72)

 

IMPRESSÕES:

Uma menina vai atrás de um coelho numa toca sem fim e acaba vivendo uma história mais louca do que quaisquer sonhos que já tivemos num mundo maravilhosamente maluco e extraordinariamente desvairado com criaturas e personagens à altura dessa alucinação mórfica... Mais tarde ela retorna a ele através dos espelhos e se mete numa partida de xadrez totalmente incomum e insana com direito a mais poesias sobre peixes do que poderia suportar num banquete onde nada se come e tudo se apresenta.

Tudo nesse mundo é muito vivaz em nossas memórias: o coelho branco que sempre se atrasa, o chapeleiro maluco que não cessa de tomar chá com a lebre de março e a ratazana, Tweedledee & Tweedledum, a rainha com mania de decapitação e o rei sem moral, além de todos os animais birutas (amo os Pães-com-borboleta) de Tulgey Wood.

Todo mundo conhece um pouco do País das maravilhas que o Carroll criou, mesmo não conhecendo todo o processo pelo qual ele passou até chegar em nossas mãos (graças a influência da família Liddell), anos atrás quando eu descobri que esse nome era só um pseudônimo fiquei em choque. Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898) foi de um tudo: romancista, contista, fabulista, poeta, desenhista, fotógrafo, matemático e reverendo anglicano britânico, além de lecionar matemática no Christ College, em Oxford, sendo autor de várias outras obras de lógica.

Cheio de invenções que hoje nos parecem malucas e antiquadas, nada que ele fez me enche mais os olhos e me inspira a escrever do que o uso de palavras-valise para criar as mais loucas formas de expressão linguísticas, tendo seu ápice no poema do Jaguadarte (Jabberwocky) contida na segunda aventura de nossa pequena Alice. Me encantei assim que li anos atrás, antes de encontra-lo aqui na sua fonte, isso me marcou tanto que de 2020 para cá me sentia sedento por conhecer mais do trabalho do Carroll, principalmente esse clássico e ler uma vez mais a lenda desse monstro que ganhou um recôndito no meu coração.

Admito que de todas as adaptações já feitas dessa obra, nenhuma supera ou chega aos pés da animação feita em 1951, ao ponto de acha-la melhor do que o próprio livro, mas fora ela, nada nunca conseguiu captar toda a maestria desse trabalho maestral. Não sei se posso afirmar isso, mas o tenho como o único conto de fadas non-sense, além de ser a primeira e maior obra desse último gênero, fora todo o valor histórico e cultural que traz consigo em suas alegorias e palavras.

Esperei muito, demais até, para conseguir essa edição da Pandorga que na minha opinião é a melhor do mercado editorial nesse tempo, superando no meu ver as demais com maestria na maioria dos aspectos, principalmente no custo benefício. Penso que não consigo apontar erros nessa edição, adorei os brindes que vieram com ela, todo o esmero da editora com o trabalho do Carroll é visível e admirável entre essas páginas.

Ainda assim fiquei tão mais perdido na narrativa quanto a própria Alice que mal entendia o que estava acontecendo ao seu redor, mas toda a criação de mundo envolvida e as questões filosóficas subliminares por detrás das falas e cenas lhe dão um aspecto mais profundo do que poderíamos captar apenas em uma leitura. Eu o avalio como 4/5, altamente indicada para qualquer um, principalmente em sua tenra idade, uma pilastra na minha biblioteca e nas minhas referências literárias para a escrita.

 

“Vida, o que é isso senão um sonho?”

(p. 275)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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