TÍTULO: A bússola de ouro
“Só posso dizer que todos nós, humanos, feiticeiras e
ursos, já estamos em uma guerra, embora nem todos saibamos disso. (...) Não
temos mais escolha do que em nascer ou não nascer”.
(p. 266)
IMPRESSÕES:
Eu era um
garotinho do interior que não conhecia bem o meu mundo, mas sabia que uma vez
por ano, nas sextas feiras à noite eu iria visitar outro mundo onde ursos usam
armaduras, pessoas tinham pokémons como parte materializada de suas almas e que
se poderia saber qualquer verdade com apenas uma pergunta e um relógio chique.
Só quase dez anos depois foi que eu vim descobrir que existiam livros sobre
esse mundo e uma série também, parece que eu sou uma criança do interior
novamente querendo saber como seria o meu daemon.
Nesse primeiro
livro da Trilogia Fronteiras do Universo, Lyra Belacqua e seu daemon,
Pantalaimon, vivem suas infâncias felizes e soltos entre os catedráticos da
Faculdade Jordan, em uma Oxford diferente da nossa, até que os Papões,
sequestradores de crianças que estão espalhando o medo pelo país, sequestram
algumas crianças do ciclo de amizades de Lyra. Então ela parte para uma jornada
para o Norte, com seu passado complicado e nebuloso, pessoas influentes em seu
encalço, amigos de uma cultura diferente e um instrumento incrivelmente
misterioso e poderoso capaz de responder com verdade a qualquer indagação, o
Aletiômetro, E, mesmo que ainda não tenha conhecimento, Lyra porta um fado
crucial e tem um destino a cumprir, cujo as consequências afetarão muitos
mundos além daquele em que ela cresceu.
Me julguem, mas eu
vi o filme e a série primeiro, por isso que quando peguei o livro o achei um
pouco inferior as suas adaptações cinematográficas, acho que fui com
expectativas surreais para a obra graças ao encanto que vi nas telas em sua
referência. Mas isso não tira a sua grandeza, a criação de mundo ainda é uma
das melhores coisas que já vi na literatura, a trama é muito gostosa e bem
amarrada, os capítulos tem bons ganchos e desenvolvimento de personagens e acho
que o final dele é, quicá, um dos mais empolgantes que já tive a oportunidade
de ler, ver o Asriel falando aquilo sobre os outros mundos me deixou tão
animado que não parava quieto na cama, ele é o meu personagem favorito do
livro, depois vem o urso e em seguida o aeróstata, na série a ordem é um pouco
diferente depois do terceiro lugar.
Eu demorei
bastante pra lê-lo justamente por essa decepção que em conjunto ao fim de mês
difícil, emocionalmente falando, que tive empacaram minhas leituras, mas me
esforcei pra continuar e fui bem recompensado por minha determinação, o final é
realmente muito bom. O começo também é bem icônico, foras as outras cenas
clássicas dessa narrativa, Iorek Byrnison e seu duelo, Lee Scoresby no seu
balão, a guerra do povo gípcio contra os tártaros e a aparição
das feiticeiras. Mas nada supera toda a interação entre humano e daemon,
que junto a possibilidade de viajar entre mundos, é o cerne da obra, quem não
gostaria de ter um daemon ou ir pra outra realidade? O autor foi bem
esperto quando tocou em algumas das fantasias mais fortes do coração humano.
A edição é
impecável, a capa fosca e com os detalhes brilhantes conquista qualquer uma à
primeira vista, a diagramação bem ajustada e as folhas amarelas fecham com
chave ouro o bom trabalho da editora. Meu livro faz parte de um box, todos os
outros seguem essa régua de qualidade, infelizmente o box não, com certeza foi
feito por outro alguém porque é de qualidade bem inferior no aspecto, mas na
qualidade do material ele é ótimo.
Apesar de toda a
minha decepção supérflua, o livro não deixa de ser um 5/5, esse mundinho da
Lyra é tão familiar quanto o meu próprio, da Oxford ao Norte, podemos sentir no
livro o calor de um mundo que nos convida pra aventuras. Fantasia maravilhosa
para crianças, jovens e adultos, venham todos e vamos perguntar ao Aletiômetro
como podemos ter os nossos próprios daemons.
“Todos nós estamos sujeitos a fados, mas temos que
fingir que não somos, ou morreríamos de desespero”.
(p. 267)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)

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