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A bússola de ouro (por Philip Pullman)


 

TÍTULO: A bússola de ouro
AUTOR: Phillip Pullman
EDITORA: Suma
PÁGINAS: 344
PERÍODO: 10/06-12/07/2023

 

“Só posso dizer que todos nós, humanos, feiticeiras e ursos, já estamos em uma guerra, embora nem todos saibamos disso. (...) Não temos mais escolha do que em nascer ou não nascer”.

(p. 266)

 

IMPRESSÕES:

Eu era um garotinho do interior que não conhecia bem o meu mundo, mas sabia que uma vez por ano, nas sextas feiras à noite eu iria visitar outro mundo onde ursos usam armaduras, pessoas tinham pokémons como parte materializada de suas almas e que se poderia saber qualquer verdade com apenas uma pergunta e um relógio chique. Só quase dez anos depois foi que eu vim descobrir que existiam livros sobre esse mundo e uma série também, parece que eu sou uma criança do interior novamente querendo saber como seria o meu daemon.

Nesse primeiro livro da Trilogia Fronteiras do Universo, Lyra Belacqua e seu daemon, Pantalaimon, vivem suas infâncias felizes e soltos entre os catedráticos da Faculdade Jordan, em uma Oxford diferente da nossa, até que os Papões, sequestradores de crianças que estão espalhando o medo pelo país, sequestram algumas crianças do ciclo de amizades de Lyra. Então ela parte para uma jornada para o Norte, com seu passado complicado e nebuloso, pessoas influentes em seu encalço, amigos de uma cultura diferente e um instrumento incrivelmente misterioso e poderoso capaz de responder com verdade a qualquer indagação, o Aletiômetro, E, mesmo que ainda não tenha conhecimento, Lyra porta um fado crucial e tem um destino a cumprir, cujo as consequências afetarão muitos mundos além daquele em que ela cresceu.

Me julguem, mas eu vi o filme e a série primeiro, por isso que quando peguei o livro o achei um pouco inferior as suas adaptações cinematográficas, acho que fui com expectativas surreais para a obra graças ao encanto que vi nas telas em sua referência. Mas isso não tira a sua grandeza, a criação de mundo ainda é uma das melhores coisas que já vi na literatura, a trama é muito gostosa e bem amarrada, os capítulos tem bons ganchos e desenvolvimento de personagens e acho que o final dele é, quicá, um dos mais empolgantes que já tive a oportunidade de ler, ver o Asriel falando aquilo sobre os outros mundos me deixou tão animado que não parava quieto na cama, ele é o meu personagem favorito do livro, depois vem o urso e em seguida o aeróstata, na série a ordem é um pouco diferente depois do terceiro lugar.

Eu demorei bastante pra lê-lo justamente por essa decepção que em conjunto ao fim de mês difícil, emocionalmente falando, que tive empacaram minhas leituras, mas me esforcei pra continuar e fui bem recompensado por minha determinação, o final é realmente muito bom. O começo também é bem icônico, foras as outras cenas clássicas dessa narrativa, Iorek Byrnison e seu duelo, Lee Scoresby no seu balão, a guerra do povo gípcio contra os tártaros e a aparição das feiticeiras. Mas nada supera toda a interação entre humano e daemon, que junto a possibilidade de viajar entre mundos, é o cerne da obra, quem não gostaria de ter um daemon ou ir pra outra realidade? O autor foi bem esperto quando tocou em algumas das fantasias mais fortes do coração humano.

A edição é impecável, a capa fosca e com os detalhes brilhantes conquista qualquer uma à primeira vista, a diagramação bem ajustada e as folhas amarelas fecham com chave ouro o bom trabalho da editora. Meu livro faz parte de um box, todos os outros seguem essa régua de qualidade, infelizmente o box não, com certeza foi feito por outro alguém porque é de qualidade bem inferior no aspecto, mas na qualidade do material ele é ótimo.

Apesar de toda a minha decepção supérflua, o livro não deixa de ser um 5/5, esse mundinho da Lyra é tão familiar quanto o meu próprio, da Oxford ao Norte, podemos sentir no livro o calor de um mundo que nos convida pra aventuras. Fantasia maravilhosa para crianças, jovens e adultos, venham todos e vamos perguntar ao Aletiômetro como podemos ter os nossos próprios daemons.

 

“Todos nós estamos sujeitos a fados, mas temos que fingir que não somos, ou morreríamos de desespero”.

(p. 267)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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