IMPRESSÕES:
É impressionante
como a simplicidade, às vezes, nos impacta de tal forma que conseguimos
processar toneladas de sentimentos e emoções complexas em lágrimas enquanto
lemos pequenos trechos ou vemos iluminuras modestas. “O menino, a toupeira,
a raposa e o cavalo” (nome bastante intrigante e até complicado de decorar
a ordem dos personagens no começo kk) se revelou a grande surpresa do ano até
agora, algo tão singelo e puro em forma de livro que nos traz uma nostalgia de
infância (vejo muito do Pequeno príncipe nele) e a doçura de relacionamentos,
internos e externos, que nos amadurece e nos mostram como a vida é essa
aventura, muitas vezes difícil, porém emocionante.
Por mais que o
autor clame que se pode ler seu livro de qualquer ponto, vemos no próprio
decorrer da história que ela segue certo tipo de linearidade, qual seja, a da
apresentação e desenvolvimento dos personagens, que são, ao meu ver, o coração
e a riqueza da obra. O título nos dá um spoiler de quem são nossos heróis, não
há outras personas nesse palco, nem precisa, os 4 peregrinos são o bastante,
carregam consigo tudo o que a trama precisa para se tornar algo marcante, eles
mesmos são arquétipos bem conhecidos por nós, mas que aqui se mostram com uma
sutileza encantadora que nos fazem amá-los à primeira vista.
O Menino e a Toupeira são a
representação daquelas típicas crianças que são cheias de candura e
simplicidade, e isso não é artificial ou forçado, mostra-nos, ou nos lembra,
aquele lado infantil bom que nos arrebata com as perguntas profundas e as
respostas fofas, porém sinceras. Já a Raposa, por sua vez, à primeira
vista é mostrada como aquele jovem revoltado com tudo e sempre de mal humor,
rosnando suas ameaças, não-comunicativo na maior parte do tempo, mas que se
revela como um bom companheiro, estando presente lá nos bons e piores momentos.
Por último, mas de maneira alguma menos importante, temos o Cavalo, o
adulto que passou por poucas e boas, mas que não se corrompeu, não perdeu sua
essência gentil e cuidadosa. E o mais fantástico, ele compartilha toda sua
bagagem com os demais, toda a experiência serve de norte pra amadurecer cada um
do grupo, espalhando amor e verdade em cada fala.
Apesar de ser
pequeno, o livro é simplesmente deslumbrante, tanto no escrito quanto no
visual, ele te deixa com aquele gostinho de querer mais uns 5 livros como ele
e, ao mesmo tempo, que só haja ele, pois é suficiente por si só. Esse é o tipo
de livro que eu sempre quis ler e que se eu tivesse lido na infância tinha me
ajudado com inúmeras questões pessoais, por isso, espero que todo humano na
face da Terra leia ele, sem margem de idade, etnia, classe social, gênero...
todos devem lê-lo.
Com certeza ele
tem espaço guardado na minha memória e no meu coração, decerto já se tornou uma
fonte de referência para a minha escrita, espero escrever algo tão bom e puro
como ele. Eu o avalio como 5/5 estrelas pela sutileza de cada detalhe, de cada
fala singela e traço delicado de cada arte, certamente o lerei de novo, sem
dúvidas está numa lista dos lidos mais queridos.
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)
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