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A Redoma de Vidro (por Sylvia Plath)

 

TÍTULO: A redoma de vidro
AUTOR: Sylvia Plath
EDITORA: Biblioteca Azul
PÁGINAS: 280
PERIODO: 01/12/2022 – 10/02/2023

 

“Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel comum bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim.” (p. 266)

 

IMPRESSÕES:

Não há como não se relatar com a protagonista desse romance e suas angústias profundas em relação ao futuro cheio de possibilidades, ouso dizer que esse é um tema universal do gênero humano e a Sylvia Plath nos mostrou todo o seu talento ao conseguir captar e transmitir esse sentimento inescrutável em palavras, toda a angustia e pavor que estagnam o jovem espírito desnorteado, em poucos lugares vi ele tão bem descrito como em A redoma de vidro.

Publicado originalmente em 1963, semanas antes da morte de Sylvia, o livro é repleto de referências autobiográficas, e a narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Silvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. No romance, nossa heroína, Esther Greenwood, é uma jovem que sai do subúrbio de Boston para trabalhar em uma prestigiosa revista de moda em Nova York. Aqui podemos relatar mais coincidências literárias, pois, assim como a protagonista, a autora foi uma estudante com um histórico exemplar que sofreu uma grave depressão. O que nos levar a crer que muitas questões de Esther retratam as preocupações da própria Sylvia que fez parte de uma geração pré-revolução sexual, em que as mulheres ainda precisavam escolher se priorizavam a profissão ou a família, mergulhando em grandes indecisões e escolhas frustradas. Além da elegância da prosa de Plath, o livro extrai sua força da forma corajosa como trata a depressão, nos apresentando mais do que um relato sobre problemas mentais, mas sim, uma narrativa singular acerca das dores do amadurecimento, de suas decisões difíceis e as consequências impactantes que acarretam.

A redoma de vidro é mais uma daquelas leituras maravilhosas que me foi indicada em meio as minhas pesquisas acerca da literatura, não é de se estranhar que não demorei muito para compra-lo, infelizmente demorei muito para lê-lo, não era só a Esther que estava passando por um momento difícil sabe? Cada capítulo foi uma grande pontada em mim, eu vivia uma situação parecida, muito indeciso e decepcionado devido aos planos frustrados que havia feito pro futuro que se desmancharam bem ali na minha frente enquanto tentava entender Sylvia Plath, interrompendo minha leitura na metade.

Em meio ao caos da depressão e de identificações com as situações descritas, eu só retomei a história um mês depois quando já estava tentando me recuperar da perda, admito que amei bastante o romance, a história é fantástica do começo ao fim, mas tenho de dar créditos a personagem principal que é extraordinariamente bem desenvolvida e genuína, se eu não soubesse que ela é um retrato da própria Sylvia, diria que a autora estava realmente entrevistando as pessoas em clínicas de reabilitação. Eu considero A redoma de vidro aquele livro perfeito para universitários, quem sabe até alunos saindo do ensino médio, é altamente proveitoso de várias maneiras, o contato com uma boa literatura, o conhecimento de que há ajuda para casos semelhantes, uma antecipação do que é e como não reagir a depressão e a angustia geradas pelas escolhas decisivas da do final da juventude, e por aí vai.

Com relação a edição, não vi defeitos, a capa é linda, a organização é delicada, a fonte e o papel daquele jeito que amamos, a Biblioteca Azul realmente trouxe algo digno da autora e da obra; eu tenho a 2ª edição, lançada em 20 março 2019, com tradução de Chico Mattoso, que adquiri em promoção por um preço muito acessível.

Por fim eu o considero um ótimo romance, leria de novo sim depois de um tempo, a obra nos faz querer realmente saber mais da autora e ler suas outras criações, eu o avalio como 5/5, não sairá mais da minha estante, pois já alugou seu lugarzinho ali com toda a sua carga emocional e primazia em descrever sentimentos profundos de um coração aflito e inquieto, um âmago de jovem que quer tudo e não consegue nada ao mesmo tempo.

 

“Por onde quer que eu estivesse – fosse o convés de um navio, um café parisiense ou Bangcoc -, estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida no meu próprio ar viciado.”

(p. 208)


Resenha: John Miranda

(@john.miranda_ejma)

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