“O amor, quando nasce forte, tem pressa de ser eterno.”
(p. 87)
IMPRESSÕES:
Um dia uma colega
de sala chegou até mim e começou a falar que eu devia ler um tal livro que lhe
impactara muito, eu tinha quase uma centena na fila para se ler, mas ela tanto
insistiu que me entregou o livro em mãos junto a uma ameaça caso não o
devolvesse. Agora aqui estou eu, vivendo mais um dilema na minha vida, o de achar
que não deveria ter lido esse romance em vez de continuar minhas outras
leituras e perplexo com o que acabara de experienciar naquelas páginas.
O livro conta a
história de Dalva e Venâncio, um casal que muda de vida após uma grande tragédia
causada pelo ciúme doentio do marido, daí que surge o triângulo amoroso formado
por eles e Lucy, a prostituta mais depravada e cobiçada da cidade, que abre o
romance e entra na história do casal graças a sua obsessão sexual compulsiva. A
história flui sem parar, revelando a metáfora do rio ao mesmo tempo em que o
suor, a saliva, o sangue, as lágrimas e o sêmen são usados pela autora que
conduz a narrativa de forma precisa, e ao mesmo tempo, delicada e poética.
Então eu cheguei
em casa com a obra física e li? Não, passei semanas até abrir aquele livro,
estava super atarefado, mas assim que tive um tempo livre e o fiz, li mais da
metade em duas noites. O início é extremamente viciante, o sentimento é de um carro
em alta velocidade ter pego você em plena pista e te levado sem mais nem menos
numa carona para a vida de Lucy, uma meretriz com complexo de superioridade e
ninfomaníaca que acaba tendo seus serviços promíscuos recusados pela primeira
vez na vida.
Isso de certa
forma havia me ganhado, Venâncio aparentava um personagem complexo e intrigante,
só para quebrarmos a cara ao descobrir o crime que havia cometido para com sua
mulher e próprio filho, repetindo cruelmente o destino do pai. Dalva e sua família
por outra lado contrastam com esses dois, são animados, felizes, tem seus
defeitos, mas tratam tudo com simplicidade e amor, lembrou muito minha família,
coisa de gente do interior, aquele calor humano que cura. A trama se segue e é
ótimo ver a Lucy dando tudo de si (perdão o trocadilho) para conquistar o
marceneiro bruto e amargurado, a reviravolta que a faz alcançar seu desejo foi
bem pensada e construída, achei que tudo havia acabado ali, mas só estava
começando, o que me deu mais vontade de continuar naquela narrativa.
Entretanto tudo
foi se alongando demais, acabei parando a leitura, em parte pela vida que se
tornou complicada demais e em parte pela própria autora que começara a enrolar
a história. Demorou alguns meses de recuperação até que eu voltara com o hábito
da leitura, terminei em mais um dia (foram três no total), o que aguçou meu
desejo por continuar foi a chegada do bebê que deu um tom perfeito para o
encerramento dessa trama. Contudo não foi assim, a autora forçou um pouco o
final feliz, que foi legal, mas que infelizmente só revelou furos de roteiro
nos acontecimentos anteriores, que com a linguagem fula, usada só pra saciar a
demanda de notas sexuais na literatura atual e os fracos leitores de hoje em
dia, são os pontos negativos da obra no geral.
A diagramação me
surpreendeu bastante junto com as divisões de capítulos, deve ser porque o
livro não é tão extenso, entretanto foi um acerto sem dúvidas, gostei tanto que
penso em o copiar. De resto, a editora fez um bom trabalho como sempre, em
corolário, não posso deixar de mencionar a beleza estonteante da capa que ganha
qualquer um à primeira vista, com certeza uma das mais intrigantes e chamativas
que já vi.
Esse
livro é um acontecimento, disse minha outra colega, não chega
à tanto, apesar de ter ganhado parte do meu acervo literário metafísico (já que
não o tenho, devolvi depois de dois meses), as metáforas com água são o norte e
a essência do romance que toma pra si a característica caudalosa e flui com
profundeza e sensibilidade, não há como negar, o tema é bom, há uma vau
(seguindo os trocadilhos com rio) poético na autora, existe um bom
desenvolvimento de personagens e ele foi bem escrito: um modesto 4/5.
“O amor é alegre, se não é alegre, não é amor.”
(p. 157)
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)
Comentários
Postar um comentário