TÍTULO: Frankenstein (ou o Prometeu moderno).
AUTOR:
Mary Shelley.
EDITORA:
Darkside
IMPRESSÕES:
Sabe aquela
sensação de testificar que algo faz realmente faz jus a sua reputação? Frankenstein
é esse livro que todo mundo fala bem, que é referência mundial, então você vai
lê-lo e percebe que não é atoa que ele é esse gigante literário que influenciou
massivamente toda a nossa cultura pop desde quando foi lançado até hoje. Eu
guardei O Prometeu moderno para ler no momento mais oportuno possível,
sem outras leituras para atrapalhar e em outubro (com o Halloween espreitando)
para dar o clima de terror gótico às minhas noites com a Mary Shelley. Vale
ressaltar aqui que a edição manuseada também ajudou bastante a entrar na
atmosfera da leitura.
Frankenstein é um
romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico moderno europeu
publicado inicialmente em janeiro de 1818 em Londres, a própria Mary (Wollstonecraft
Godwin) Shelley era britânica e tinha contato com outras grandes figuras desse
movimento. Naquelas páginas lúgubres temos o mal fadado Viktor Frankenstein, um
jovem brilhante e esperançoso, junto à sua nobre família que, embora muito
afortunada em todos os sentidos, ainda sofrem com a perca da matrona da casa. Graças
à sua grande curiosidade obstinada Viktor vagueia entre os extremos do ocultismo
e das ciências naturais, até que, em sua enorme engenhosidade, ele engendra um
humano artificial no seu laboratório, um homúnculo na visão dos antigos
alquimistas, um “monstro” aos seus olhos. E o que seria um milagre a ser
comemorado, não só por ele, mas por toda a humanidade, acaba tornando-se o augúrio
e o algoz das angústias e dores dos Frankensteins.
Admito que fiquei
estupefato no começo da leitura por ser transportado para um barco em pleno mar
gélido, pensava comigo mesmo: “Será que ouvi a história errada minha vida
inteira?”. Contudo, mais a frente, você capta a genialidade que a jovem Shelley
teve na construção desse romance perfeito, sutileza característica de sua época
de nos apresentar personagens cujo ponto de vista guiará o leito, mesmo que
essas mesmas personas nunca ganhem a devida fama na boca dos legentes quando as
histórias se tornam grandes. Sinceramente eu amei todos os momentos que “o
monstro” esteve em cena e cada vez que ele começava seus discursos, carregados
de paixões profundamente humanas, eu ficava tocado e empolgado para mais de
tudo aquilo. O final pode parecer corrido, mas acho ele incrivelmente
emocionante, a velocidade proporcional com que as coisas acontecem sincroniza
quem lê como o ritmo da trama até o desfecho tocante e devidamente franco com o
desenvolvimento dos personagens.
É difícil demais não
amar esses romances narrados através de cartas escritas, esse modelo que o
enredo segue pra ti levar a uma experiência quase que parcial da história é
intrigante e empolgante ao ponto de ti fazer devorar os capítulos mais e mais.
A recomendação é universal, para todas a idades e gostos, com a advertência que
se dediquem a captar a sutileza de cada detalhe da trama, pra sentir o que o
pobre Viktor sentiu e se compadecer de tudo pelo que o nosso “monstro” passou,
mais do que um antagonismo ou uma simbiose, pois os dois personagens nos revelam
mais da natureza humana em seus diálogos e ações do que apercebemos no dia a
dia.
A Darkside e a sua edição não falharam, cumprindo com excesso de excelência a missão de nos trazer e envolver no encanto gótico e hórrido que a jovem Mary Shelley quis manifestar naquelas letras. A escolha de cores e de iluminuras temáticas nos sobrepujam e nos jogam para dentro de um mundo cru e somático de Frankenstein antes mesmo de iniciarmos a leitura das cartas do capitão Walton e lermos o testemunho do pobre Viktor.
Em suma, mas antes de tudo me sinto privilegiado por ler essa obra, Frankenstein é aquela arte escrita monumental que fica eternizado em sua alma antes mesmo de você o ler e depois se torna, além disso, um marco nas suas experiências literárias. Eu o avalio com 5/5 estrelas por motivos evidentes, vale apena comprar qualquer edição de O Prometeu moderno que for, ainda mais essa em questão, porque é quase uma leitura obrigatória para qualquer humano que ame ler.
Resenha: John Miranda
(@john.miranda_ejma)
QUESTÕES:
. Até onde a ciência deve ir? Quais
são os seus limites?
. É válido e benéfico guardar segredo
de fatos influentes e nefastos, apenas para preservar sua imagem ou não
importunar os seus próximos?
. A vida social realmente é a
responsável por nos guiar aos vícios ou as virtudes?
. Vale a pena dedicar toda a vida e
recursos numa vingança?
LIÇÕES PRÁTICAS:
- Contemplar mais a natureza como
fonte de saúde e descanso.
- Viver tranquilo com o básico e
evitar as grandes ambições.
- Sempre guardar com afeto a
lembrança dos que se foram.
- Tratar o mal com o bem, para
reverter sua polaridade a longo prazo.
CITAÇÕES:
“Pois nada contribui mais para
tranquilizar a mente do que um propósito firme.”
“É necessário não apenas levantar os
ânimos dos outros, mas, às vezes, manter o meu quando o deles falhar.”
“Devemos continuar o nosso curso com
os demais e aprender a nos julgar afortunados enquanto existirem aqueles que
não foram arrebatados pela ceifadora.”
“Tanto foi feito, exclamou a alma de
Frankenstein, mas, muito mais realizarei.”
“Os jovens devem desconfiar de si
mesmos.”
“Quando a mentira pode parecer tanto
com a verdade, quem pode assegurar-se de alguma alegria?”
“A vida, ainda que possa ser apenas
um repositório de angústias, é cara a mim e a defenderei.”
“Em todo lugar vejo a felicidade que
somente a mim é irrevogavelmente negada. Fui benevolente e bom; a infelicidade
transformou-me em um demônio. Faça me feliz e serei virtuoso novamente.”
“Nada compreendia e distinguia, mas a
dor, essa sim, invadia-me por todos os lados.”
“O passado estava eclipsado na
memória, o presente se mostrava tranquilo e o futuro, iluminado pelos raios
fúlgidos da esperança e pelos prenúncios da alegria.”
“A importância atribuída ao sucesso
inspirava-me o temor de falhar.”
“O que significava? Quem eu era? O
que eu era? De onde vim? Qual era minha finalidade? Essas perguntas recorriam
continuamente, mas via-me incapaz de respondê-las.”
“Eu, como o arqui-inimigo, trazia um
inferno dentro de mim.”
“Se não tenho laços ou afeições, ódio
e depressão serão minha sina.”
“Um espetáculo miserável de
humanidade devastada, deplorável aos outros e intolerável para mim mesmo.”
“Toda a alegria de que poderei
desfrutar está centrada em você. Afugente seus temores inúteis; só a você
consagro minha vida e minhas tentativas de felicidade.”
“Nada é tão doloroso para a mente
humana como uma mudança grande e repentina.”
“A alma é tão infernal quanto a
forma, cheia da perfídia e malícia diabólica.”
“Todas as minhas especulações e
esperanças são como nada e, como o arcanjo que aspirou a onipotência, estou
acorrentado ao inferno eterno.”
“Os companheiros de nossa infância
sempre possuem certo poder sobre nossas mentes, o qual dificilmente um amigo
mais recente poderá obter.”
“Sejam homens, ou sejam mais que
homens. Sejam firmes em seus propósitos e firmes como rocha.”
“Busque felicidade na tranquilidade e evite a ambição.”




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