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Jabberwocky (por Lewis Carrol)

 


Intro 

(John Miranda)


Como o dia das crianças já está aí, decidimos homenagear esse dia e a criança interior dentro de cada um de nós indicando um poema nostálgico, retirado diretamente de Alice através do espelho. Jabberwocky (ou Jaguadarte) é um dos maiores poemas do gênero nonsense da literatura, cheio de palavras-valises (ex: homenino = homem + menino) e com uma aventura heróica emocionante, apesar de ser um texto que é preciso virá-lo do avesso para começar a entende-lo, ou... pode-se apenas ficar louco e tentar compreendê-lo através de sua maluquisse desmedida. 

De um jeito ou de outro, esse poema é uma das melhores e mais intrigantes coisas que eu já li na vida, por isso escolhi ele a dedo para fazer essa homenagem, abaixo segue o texto original em inglês e, logo em seguida, a tradução em português do Augusto de Campos. Espero que gostem, odeiem, se demorem, se apaixonem, decorem e releiam tanto quanto eu, feliz dia das crianças para todos nós!

P.S. Não desistam dele, nem Alice o entendeu de primeira quando contaram-na kkk.

JABBERWOCKY  

Lewis Carroll  

 

Twas brilligand the slithy toves  

Did gyre and gimble in the wabe 

All mimsy were the borogoves 

And the mome raths outgrabe 

 

Beware the Jabberwockmy son 

The jaws that bitethe claws that catch!  

Beware the Jubjub birdand shun  

The frumious Bandersnatch!”  

 

He took his vorpal sword in hand 

Long time the manxome foe he sought–  

So rested he by the Tumtum tree  

And stood awhile in thought 

 

And as in uffish thought he stood 

The Jabberwockwith eyes of flame,  

Came whiffling through the tulgey wood 

And burbled as it came!  

 

OnetwoOnetwoAnd through and through  

The vorpal blade went snicker-snack!  

He left it deadand with its head  

He went galumphing back 

 

And hast thou slain the Jabberwock 

Come to my armsmy beamish boy!  

frabjous dayCalloohCallay!”  

He chortled in his joy 

 

Twas brilligand the slithy toves  

Did gyre and gimble in the wabe 

All mimsy were the borogoves 

And the mome raths outgrabe 

 

(CARROLL, 1987, p. 191-197)  

 

 

 

JAGUADARTE  

Augusto de Campos  

 

Era briluz. As lesmolisas touvas  

Roldavam e relviam nos gramilvos 

Estavam mimsicais as pintalouvas 

E os momirratos davam grilvos 

 

"Foge do Jaguadarte, o que não morre!  

Garra que agarra, bocarra que urra!  

Foge da ave Fefel, meu filho, e corre  

Do frumioso Babassura!"  

 

Ele arrancou sua espada vorpal  

e foi atrás do inimigo do Homundo 

Na árvore Tamtam ele afinal  

Parou, um dia, sonilundo 

 

E enquanto estava em sussustada sesta,  

Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,  

Sorrelfiflando através da floresta,  

borbulia um riso louco!  

 

Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta  

Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!  

Cabeça fere, corta e, fera morta,  

Ei-lo que volta galunfante 

 

"Pois então tu mataste o Jaguadarte 

Vem aos meus braços, homenino meu!  

Oh dia fremularBravoohBravarte!"  

Ele se ria jubileu.  

 

Era briluz. As lesmolisas touvas  

Roldavam e relviam nos gramilvos 

Estavam mimsicais as pintalouvas 

E os momirratos davam grilvos 

 

(CAMPOS, 1980, p. 146) 

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